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16ª Goiânia Mostra Curta destaca produções de realizadores negros contemporâneos


Foto: João Paulo Cardoso

Foto: João Paulo Cardoso

Apresentar um panorama sobre a produção de curtas-metragens feita por realizadores negros no século 21 é a intenção da Curta Mostra Especial – Cinema Negro Brasil Contemporâneo, que integra a programação da 16ª Goiânia Mostra Curtas. Na tarde deste sábado, depois da exibição dos filmes, foi promovido um debate entre cineastas, pesquisadores e público acerca da temática.

Segundo a diretora do festival, Maria Abdalla, o espaço “propõe um encontro entre expoentes do início do cinema negro no País e representantes da nova geração, que está cada vez mais forte. O protagonismo do negro transcende o cinema e precisa ser celebrado diariamente, em todas as esferas”.

Foto: João Paulo Cardoso

Foto: João Paulo Cardoso

Antes do início da sessão, foram homenageadas as atrizes Ruth de Souza e Chica Xavier, conhecidas como as damas negras, representadas por Clementino Júnior e Luana Xavier, filho e neta de Chica, respectivamente. “Elas são sinônimo de perseverança e agradeço a celebração em seus nomes”, falou Clementino, que é cineasta, professor e foi, inclusive, produtor da Curta Mostra Especial.

Em seguida, foram exibidos os filmes Cinema de Preto, dirigido por Danddara, Cores e Botas, por Juliana Vicente, Conflitos e Abismos: A expressão da condição humana, por Everlana Moraes, O Dia de Jerusa, por Viviane Ferreira, Quijauá, por Coletico Revisitanto Zózimo Bulbul + Mulheres de Pedra, e Kbela, por Yasmin Thayná. A curadoria da Curta Mostra Especial foi assinada por Flávia Cândida.

Na sequência, o debate trouxe, novamente ao palco de Clementino Júnior, com a ex-secretária municipal de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Ana Rita de Castro; a idealizadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine), Janaína Oliveira; o cineasta premiado internacionalmente Jefferson Dê; e a cineasta, diretora e fundadora da Afroflix Yasmin Thayná.

Abrindo o diálogo, Ana Rita destacou a importância de discutir a inserção cultural do negro. “O cinema não é apenas entretenimento, ele traduz mensagens em nossas vidas. Ele pode nos inferiorizar e nos tornar invisíveis. Por isso, o cinema não é só uma arte, mas uma forma de expressar e reafirmar nossas lutas e nossas bandeiras”.

Pesquisadora do tema, Janaína elucidou que cada vez mais negros tem tido acesso a universidades e, por causa disso, o cenário cultural vem se modificando. “Nos últimos 12 anos, por causa das políticas afirmativas implantadas no País, há mais acesso à educação e, em consequência, à cultura. O cinema está menos caro de se fazer. Por isso, a representatividade hoje está maior e a recepção, também, a essa forma contra hegemônica de fazer cinema”.

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