Filmes premiados

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19 a 24 de outubro de 2001

“Eu acho que coroa um pouco as preocupações que a gente tem, eu particularmente, com relação à formação de uma cinematografia regional em Goiás”.
João Batista de Andrade
1º presidente do Icumam, sobre a criação da Goiânia Mostra Curtas

“É estimulante e produtivo, porque é uma troca de experiências, porque a experiência do norte não é a mesma do sul, a do sul não é a mesma do leste, a do leste não é a mesma do oeste, nós não somos um país muito homogêneo, são vários Brasis, então são vários curtas, são vários cineastas…”.
Suzana Amaral
Ministrante de oficina da 1ª Goiânia Mostra Curtas

“O que me impressionou muito nesse festival foi a organização e o profundo respeito com as pessoas todas que participam, o carinho, o público que veio – que foi impressionante, as pessoas lotaram todas as sessões, curiosas de cinema – então é mentira que não se gosta de cinema brasileiro”.
Júlia Lemertz
Atriz convidada da 1ª Goiânia Mostra Curtas

O início, no Cine Lumière

A 1ª Goiânia Mostra Curtas aconteceu em 2001, no Cine Lumière do Shopping Bougainville. Inicialmente sem temática específica, o festival propôs a celebração da diversidade regional, selecionando para a Curta Mostra Brasil obras de praticamente todos os Estados (à exceção de Tocantins, Acre e Roraima). A edição de estreia inaugurou uma mostra competitiva dedicada exclusivamente à produção local: a Curta Mostra Goiás, que a princípio se dividiu entre a retrospectiva de Curtas Goianos de Todos os Tempos e a Mostra Goiânia (filmes sobre a cidade ou nela realizados). Nessa sessão, o curta mais antigo a ser exibido foi a ficção A Fraude (1968), com direção de Jocelan e fotografia em 16mm de Carlos Reichenbach. Além da recente produção goiana reanimada pela criação do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), em 1999, a retrospectiva apresentou filmes de curta-metragistas pioneiros em Goiás, cujos trabalhos foram produzidos entre 1976 e 1994, como José Petrillo, Carlos Del Pino, Taquinho, Rosa Berardo e PX Silveira.

Foi a estreia de um festival também pioneiro na promoção do encontro entre o curta-metragem local e o público goianiense, configurando até hoje a maior vitrine para a exibição desses trabalhos. Certamente boa parte do estímulo ao audiovisual goiano, nesta década do cinema digital, pode ser creditada ao festival. Em dez anos, a Goiânia Mostra Curtas mostrou 200 títulos desta produção, com a participação de mais de 140 diretores goianos, dentre os quais o maior número de curtas exibidos foi registrado por Ângelo Lima – único a participar de todas as edições –, seguido por João Novaes, Luiz Eduardo Jorge, Robney Bruno, Pedro Diniz, Amarildo Pessoa, Alyne Fratari, Dustan Oeven, Moisés Cabral, Érico Rassi, Kim-Ir-Sem e Lourival Belém Jr.

Premiados
Resgate cultural, o filme, dir. Telephone Colorido e Pajé Limpeza – PE (Curta Mostra Brasil)
Luzes da Madrugada, dir. Paulo Caetano – GO (Curta Mostra Brasil)
Um vídeo chamado Brasil, dir. Ângelo Lima – GO (Curta de Todos os Tempos/Goiás)
As cidadelas invisíveis, dir. Lourival Belém Jr – GO (Curta Mostra Goiânia)

8 a 13 de outubro de 2002

“Eu tenho uma relação super forte com o festival de Goiânia, porque no período em que eu estava engatinhando como realizador, eu ganhei um prêmio aqui com o curta ‘À margem da imagem’. O festival de Goiânia me formatou como realizador no momento em que eu estava realmente engatinhando. Além disso, tem vários prêmios técnicos aqui. Eu ganhei prêmios de lata de negativo, aluguel de câmera, CTAv, uma série de coisas que me permitiram fazer um segundo curta”.
Evaldo Mocarzel
Documentarista homenageado na 7ª Goiânia Mostra Curtas e premiado na Curta Mostra Brasil da 2ª Goiânia Mostra Curtas

“Na sequência dos curtas que eu vi, foi interessante ver como a gente saía do riso para o choro – tudo o que podia acontecer comigo em termos de emoção, aconteceu aquele dia no cinema. Foi fantástico”.
Cissa
Espectadora da 2ª Goiânia Mostra Curtas

“Cinema é vida e a vida é curta”.
Jorge Furtado
Curta-metragista homenageado na 2ª Goiânia Mostra Curtas

Mais mostras e um panorama mais diverso

Aguardada pelo público goianiense, ávido por novidades, a 2ª Goiânia Mostra Curtas ampliou a programação experimentada na 1ª edição, dobrando a quantidade de curtas exibidos e de espectadores. Ainda sem temática específica, o foco das sessões paralelas foram curtas-metragens de cineastas brasileiros, como Jorge Furtado, homenageado em retrospectiva que exibiu de Temporal (1984) e Ilha das Flores (1989) a O Sanduíche (2000). A edição exibiu também trabalhos das diretoras Ana Maria Magalhães, Anna Muylaert, Carla Camurati, Laiz Bodanzky, Malu de Martino, Marlene França, Olga Futemma, Suzana Amaral e Tata Amaral, que iniciaram suas carreiras como curta-metragistas. Esta sessão, batizada de Curta Mostra Mulheres, reuniu filmes produzidos entre 1971 e 2001.

A estrutura de mostras permanentes do festival assumiu a configuração que tem até hoje: além da Curta Mostra Brasil, da Curta Mostra Goiás e da Curta Mostra Cinema nos Bairros, foram criadas outras duas sessões: a Mostrinha, dirigida ao público infantil, e a Curta Mostra Municípios, na qual passaram a competir produções de realizadores residentes em cidades do interior. O ineditismo desta proposta diversificou ainda mais o panorama nacional oferecido pelo festival, incorporando o olhar do Brasil “de dentro”. Em nove anos de Curta Mostra Municípios (2002-2010), a Goiânia Mostra Curtas contabiliza a exibição de curtas de mais de 50 cidades do interior, das quais as que mais se destacaram, tanto pela constância de obras inscritas e selecionadas quanto na premiação, foram: Niterói (RJ), Olinda (PE), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), São Carlos, Campinas, Ribeirão Preto, São Caetano do Sul (SP), Santa Maria (RS) e Ceilândia (DF).

Premiados
À margem da imagem, dir. Evaldo Mocarzel – SP (Curta Mostra Brasil)
Ana Beatriz Nogueira, por Furos no Sofá – RJ/RS (Melhor Direção/Curta MostraBrasil)
Valério Duarte e Allan Rodrigues, por Açaí com Jabá – PA (Melhor Direção/Curta MostraBrasil)
Cine Paixão, dir. Vera Senise e Célio Concilio – PR (Curta Mostra Municípios)
André Ristum, por Londrina em Três Movimentos – PR (Melhor Direção/Curta Mostra Municípios)
Sinos para sempre, dir. Hernany César, Ivana V., Luís Grossi e Nádia R. – GO (Curta Mostra Goiás)
Antônio Guerino, por Bolacha – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
Palace II, dir. Fernando Meirelles e Kátia Lund – RJ (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)

7 a 12 de outubro de 2003

“Quando um festival se dedica ao curta-metragem e abre espaço para fazer oficinas, para fazer encontro de cineclubes, ele está cumprindo a mesma função que o cineclube cumpria antes, que é a de ir atrás do público”.
Diogo Gomes
Participante do encontro regional de cineclubistas na 3ª Goiânia Mostra Curtas

“O que a gente tem aqui é completamente diferente do que a gente vê nos outros festivais, porque a gente vê exatamente essa diversidade de curtas, como os trabalhos do Pará e do Piauí que nós vimos essa semana. Essa é uma característica muito peculiar desse festival: um panorama do que é o Brasil pensando e fazendo a sua produção audiovisual”.
Malu de Martino
Cineasta homenageada na 2ª Goiânia Mostra Curtas e júri da Curta Mostra Brasil na 3ª Goiânia Mostra Curtas

“Em breve, daqui dez, vinte anos, eu tenho certeza que as novas gerações de moradores da cidade dirão: -‘Olha, meu gosto estético, meu gosto cinematográfico foi formado nas sessões da Goiânia Mostra Curtas’”.
Maria do Rosário
Jornalista e convidada da 3ª Goiânia Mostra Curtas

A mudança para o Teatro Goiânia e a consolidação

Em 2003, a capital de Goiás completou 70 anos e a 3ª Goiânia Mostra Curtas passou a ocupar um dos mais antigos e belos edifícios do centro, o histórico Cine Teatro Goiânia (construído entre 1940 e 1942), manifestando-se pela revitalização da arquitetura Art Dèco, que caracteriza um conjunto de prédios datados da fundação da cidade. A mudança de localização, transferindo o festival de um shopping de setor nobre para o centro, além de reviver a tradição da sala de cinema de rua, cada vez mais rara na era dos multiplex, foi extremamente benéfica na consolidação da parceria com o público, nos anos que se seguiram, ao facilitar o acesso à programação.

As mostras paralelas trouxeram curtas sobre a terceira idade (com sessão lotada de idosos), exibindo filmes de Ana Luiza Azevedo, Pedro Bloch e José Roberto Torero, dentre outros diretores. Trouxeram também documentários sobre os últimos 40 anos da República no Brasil, dentre os quais Greve (1979), do diretor João Batista de Andrade, e A greve de março (1979), de Renato Tapajós, dois curtas que centralizaram as atenções no debate que se seguiu à sessão. Neste mesmo ano, a Curta Mostra Terror apresentou alguns exemplares do horror nacional, atraindo os fãs do gênero, que puderam conferir curtas paulistas como Ave (1992), do diretor Paulo Sacramento, e Demônios (2003), de Christian Saghaard, além de Fim (2003), que José Mojica Marins havia filmado nos anos 1970, mas permanecia inédito até aquele ano, quando foi finalizado.

Premiados
Águas de Romanza, dir. Gláucia Soares e Patrícia Baia – CE (Curta Mostra Brasil)
Pedro Iuá, por Sushiman – RJ (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
O metro quadrado, dir. Flávia Cândida – RJ (Curta Mostra Municípios)
Paula Fabiana, por Cana Amarga – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Municípios)
Carne seca, dir. Ricardo George Podestá Martin – GO (Curta Mostra Goiás)
Weber Santana, por O Caçador – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
A Lasanha Assassina, dir. Ale MacHaddo – SP (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)

2 a 17 de outubro de 2004

“A gente tem uma história de fazer cinema bem lá atrás, na época de João Bênnio, Petrillo, Ronaldo Araújo, Euclides, Taquinho, Beto Leão, Eduardo Benfica. Depois disso, a gente passou por um hiato na produção. E retomamos de uma maneira mais intensa a partir do FICA e da Goiânia Mostra Curtas”.
Cláudia Nunes
Júri da Curta Mostra Brasil na 3ª Goiânia Mostra Curtas e realizadora goiana premiada na Curta Mostra Goiás da 6ª Goiânia Mostra Curtas

“É uma possibilidade de mostrar o nosso trabalho aqui no nosso Estado. Dois dos nossos vídeos já foram para outros Estados, já saíram daqui de Goiás, e poder mostrar isso aqui dentro para os nossos vizinhos, nossos amigos, nossos parentes, é muito bom”.
Eudóxia Pereira
Realizadora goiana, participante da Curta Mostra Goiás na 4ª e 5ª edições da Goiânia Mostra Curtas

“É uma coisa meio platônica, como no meu caso: eu me apaixonei pela Goiânia Mostra Curtas e depois fui produzir. Quer dizer, foi minha declaração”. 
Eduardo Castro
Espectador da 4ª Goiânia Mostra Curtas e realizador goiano premiado na Curta Mostra Goiás da 5ª Goiânia Mostra Curtas

Fifi deixa saudades e motiva a continuidade do festival

No ano seguinte, a 4ª Goiânia Mostra Curtas aconteceu sob o impacto da perda de uma das produtoras que fundaram o festival, Fifi Cunha, falecida em fevereiro de 2004. Maria Abdalla, que nos anos iniciais dividiu com Fifi o trabalho de organização do evento, assume para si a missão de dar continuidade ao projeto. A edição de homenagem à fundadora trouxe a alegria da animação brasileira como tema, renovando o fôlego na tarefa de formar plateia para o curta-metragem nacional, na cidade de Goiânia. O público assistiu a uma mostra de clássicos brasileiros da animação, com curtas de vários diretores reincidentes no festival, nesses dez anos, como Ale MacHaddo, Allan Sieber, Carlos Eduardo Nogueira, Ítalo Cajueiro, Marão e Victor Hugo Borges.

Dentre os “clássicos” da animação, filmes que fizeram sucesso no circuito dos festivais no início da década, como Amassa que elas gostam (1998), Deus é pai (1999), Alma em chamas e Os irmãos Willians (2000), além de A Lasanha Assassina (2002), animação premiada pelo júri popular da Curta Mostra nos Cinema nos Bairros, na edição anterior. O tema permeou as outras atividades do festival e propôs uma ação continuada na região, através da criação do Núcleo de Animadores de Goiás (NAG). Na Curta Mostra Municípios, o filme Filhotes, dirigido por Bruno Jorge, da cidade de São Caetano do Sul-SP, acumulou os prêmios de melhor curta e melhor direção, proeza que seria repetida por Adirley Queiroz, de Ceilândia-DF, em 2006, e por Vincent Carelli, de Olinda-PE, na edição de 2009.

Premiados
A moça que dançou depois de morta, dir. Ítalo Cajueiro – DF (Curta Mostra Brasil)
Torquato Joel, por Transubstancial – PB (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
Filhotes, dir. Bruno Jorge – SP (Melhores Curta e Direção/Curta Mostra Municípios)
Negro carvão, dir. Francila Caliça, Joanatha Moreira e Luiz F. Fernandes – GO (Curta Mostra Goiás)
Robney Bruno, por O Bilhete – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
Narciso RAP, dir. Jeferson De – SP (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)

11 a 16 de outubro de 2005

“A Goiânia Mostra Curtas é muito importante por dois motivos: primeiro que estimula a produção; e segundo que é um raro festival que estimula o debate sobre a produção. Cinema sem reflexão é um cinema que fica devendo alguma coisa”. 
Lisandro Nogueira
Professor de cinema da Universidade Federal de Goiás (UFG) e mediador de debate na 5ª Goiânia Mostra Curtas

“Em São Paulo, as pessoas conhecem o festival como um evento que a cada ano faz a sua mostra e descobre toda uma produção que às vezes não chega aos centros hegemônicos e, dessa forma, contribui enriquecendo toda essa cultura do curta e do documentário, de que a gente pode felizmente dispor na atualidade”.
Francisco Elinaldo Teixeira
Debatedor da 5ª Goiânia Mostra Curtas

“As pessoas não vão sair daqui da sua casa, da sua rotina no bairro, para procurar cultura. Cabe a vocês aproximar e mostrar que não é tão longe, que não é tão difícil assim”.
Paulo Tomain
Aposentado, espectador da Curta Mostra Cinema nos Bairros da 5ª Goiânia Mostra Curtas

A diversidade da cultura popular na tela

A 5ª Goiânia Mostra Curtas reforçou o compromisso inicial com a difusão da diversidade regional, adotando como tema as manifestações da cultura popular brasileira, em mostra paralela especial que exibiu oito documentários de oito Estados brasileiros, dentre eles, Goiás, representado pelo curta Roque Pereira – mobiliário eco-sustentável (2004), do diretor Kim-Ir-Sem. O filme mais antigo da sessão foi Ponto das Ervas (1978), do diretor Celso Brandão (AL). O tema também foi contemplado por uma sessão do Revelando os Brasis (projeto de formação audiovisual da Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, apresentando curtas de diretores iniciantes residentes em pequenas cidades de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Ceará, Rondônia e Espírito Santo.

No embalo do sucesso de público obtido pela animação no ano anterior, houve também uma sessão especial do Anima Mundi, festival homenageado na quinta edição da mostra. A premiação do júri popular, já experimentada como estratégia de envolvimento do público na Curta Mostra nos Cinema Bairros, estendeu-se à 4ª Mostrinha, que passou a contar com a curadoria e consultoria pedagógica do professor André Barcellos (Faculdade de Educação da UFG), fazendo um trabalho preparatório junto aos professores das escolas convidadas para as sessões matinais do festival. Na Curta Mostra Brasil, Vinil Verde (2005), do pernambucano Kleber Mendonça Filho, escapou ao júri de premiação, mas agradou tanto a plateia que merece destaque na retrospectiva, por ser até hoje um dos filmes mais lembrados pelo público do festival. Na Mostrinha, as crianças elegeram o curta Historietas Assombradas (para crianças malcriadas) (2005), do diretor Victor Hugo Borges – animação que levou também o prêmio de melhor filme da Curta Mostra Brasil. A competição nacional registrou a participação de dos curtas goianos Via de mão única (2005), parceria de Amarildo Pessoa e Kátia Jacarandá, e Resto de Sabão (2005), filme em 35mm de Rochane Torres.

Premiados
Historietas Assombradas (para crianças malcriadas), dir. Victor Hugo Borges – SP (Curta Mostra Brasil e Júri Popular/4ª Mostrinha)
Caetano Gottardi, por Dois Tons – MS (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
A Morte do Rei de Barro, dir. Marcos Buccini e Plínio Uchoa – PE (Curta Mostra Municípios)
Rodrigo Grota, por Homem Voa? – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Municípios)
A resistência do vinil, dir. Eduardo Castro – GO (Curta Mostra Goiás)
Érico Rassi, por Musculatura – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
O Xadrez das Cores, dir. Marco Chiavon – RJ (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)

10 a 15 de outubro de 2006

“A valorização que ela [a criança] passa a dar, quando se faz esse tipo de trabalho [Mostrinha], ela chega ao cinema de uma maneira diferente. E ela sai do cinema diferente, não vira só um espetáculo”.
André Barcellos
Professor da UFG, curador e consultor pedagógico da Mostrinha na 5ª, 6ª e 7ª edições da Goiânia Mostra Curtas

“Eu fico nessa ‘querência’ de encontrar outros diretores, outros realizadores, de trocar ideia, e eu tenho essa oportunidade aqui”.
Alyne Fratari
Realizadora goiana premiada pela melhor direção na Curta Mostra Goiás da 6ª Goiânia Mostra Curtas

“É um festival que não se resume apenas à exibição no cinema, mas também percorre a cidade, com projeções ao ar livre, oficinas, então eu acho que esse é o espírito e o papel de um evento audiovisual como o Fórum defende”.
Antônio Leal
Participante do Encontro do Fórum dos Festivais (e ex-presidente da entidade), realizado em várias edições da Goiânia Mostra Curtas

O maior festival de curtas do Centro-Oeste brasileiro

Na 6ª Goiânia Mostra Curtas, o tema escolhido foi o cinema experimental brasileiro. A sessão temática fez um panorama histórico da tradição do curta experimental no Brasil: desde O Pátio (1959), primeiro filme de Glauber Rocha, aos superoitistas dos anos 1970 – dentre eles, o baiano Edgard Navarro, homenageado da edição – passando por Joel Pizzini, nos anos 1980 – outro homenageado – até chegar à ousadia universitária dos anos 1990 e à produção contemporânea, representada por Kiko Goifman, Philippe Barcinski e Cao Guimarães. Amadurecido, o festival foi elogiado pela imprensa nacional, que deu ampla cobertura ao evento, destacando-o como um dos mais importantes do país, sem nada dever a outros festivais maiores ou mais tradicionais.

É perceptível uma forte influência da animação sobre a produção local, gênero que vinha sendo promovido pelo festival nos últimos dois anos. A mostra goiana exibiu trabalhos de novos nomes, como Luis Botosso, Thiago Veiga, Wesley Rodrigues e Daniel Lima, além de dois curtas que recorriam à animação: a ficção Corra, Coralina, corra e o documentário Histórias que moram no mercado. Em 2006, o festival também exibiu o curta Sexodrama, com direção de Alyne Fratari – vídeo realizado por alunos do Curso de Formação Profissional para Cinema (outro projeto do Icumam), que junto às oficinas e seminários da Goiânia Mostra Curtas contribuiu para minimizar a histórica demanda local por formação qualificada em audiovisual. Goiás participou pela primeira vez da Curta Mostra Municípios, com a animação O pequeno Al (2006), de Wederson Arantes (município de Mara Rosa). Na Curta Mostra Brasil, o único representante goiano foi o filme Anjo Alecrim (2005), documentário em 35mm dirigido por Viviane Louise. Na Curta Mostra Goiás, foi exibido o filme Peixe frito (2005), animação de Ricardo George Podestá, que junto a O filme que nunca existiu (2005), do diretor Sérgio Valério – trabalho experimental não exibido no festival – foram os últimos curtas goianos finalizados em 35mm de que se tem notícia.

Premiados
Yansan, dir. Carlos Eduardo Nogueira – SP (Curta Mostra Brasil)
Armando Praça, por O amor do palhaço – CE (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
Rap – o canto da Ceilândia, dir. Adirlely Queiroz – DF (Melhores Curta e Direção/Curta Mostra Municípios)
O dono da pena, dir. Cláudia Nunes – GO (Curta Mostra Goiás)
Alyne Fratari, por Histórias que moram no mercado – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
Mauro Shampoo: jogador, cabeleireiro e homem, dir. Paulo Henrique Fontenelle e Leonardo Cunha Lima – RJ (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)
O lobisomem e o coronel, dir. Elvis Kleber e Ítalo Cajueiro – DF (Júri Popular/5ª Mostrinha)

9 a 14 de outubro de 2007

“Uma homenagem como esta, eu me sinto orgulhoso pra chuchu, eu me sinto assim, descaradamente gratificado, como se eu merecesse de fato, entendeu? Na luta insana que é essa saga do cinema brasileiro, qualquer agrado, reconhecimento, qualquer afago que se faça àqueles que estão, mesmo modestamente, como eu, contribuindo para o êxito do cinema brasileiro, é sempre uma injeção de ânimo, que nos traz um alento muito grande para a gente continuar nessa luta”.
Vladimir Carvalho
Documentarista homenageado na 7ª Goiânia Mostra Curtas

“Eu vi um monte de filmes da Curta Mostra Municípios. É uma loucura você saber que não é só nas capitais que tem produção! Tem uma galera se virando, criando e produzindo curtas esteticamente capazes de diálogo com os das capitais, em condições precárias e, mesmo assim, driblando essa precariedade, transformando isso em solução criativa, eu acho isso fundamental”.
Márcio Jr.
Organizador da TRASH e debatedor da 7ª Goiânia Mostra Curtas

“Os impactos da Goiânia Mostra Curtas colaboram para o crescimento da produção audiovisual local, estimulam a busca pela qualificação profissional, motivam a criação de coletivos, provocam o intercâmbio com realizadores de todo o país. (…) O público goiano é um dos mais elogiados. Quem comenta são os profissionais que participam de festivais em todo o Brasil”.
Maria Abdalla
Diretora geral da Goiânia Mostra Curtas

História e estética do curta documental brasileiro

A 7ª Goiânia Mostra Curtas afirmou a maturidade do festival, que começava a ser reconhecido no meio cinematográfico nacional como o maior evento da região Centro-Oeste dedicado ao formato do curta-metragem. O tema da edição, que marcou essa breve história como uma das mais significativas, envolventes e elogiadas pelo público e convidados foi o documentário brasileiro. Repetindo o viés da curadoria em 2006, promoveu-se um panorama histórico da produção de curtas no Brasil, buscando contemplar, no campo da representação do real, as mais diversas tendências. Foram exibidos curtas-metragens como Rituais e festas Bororo (1917), do Major Thomaz Reis, e Brasilianas – Engenhos e Usinas (1955), dirigido por Humberto Mauro; documentários dos cinemanovistas Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Nelson Pereira dos Santos, realizados nos anos 1960; filmes de Vladimir Carvalho – homenageado – além de produções mais recentes de outros realizadores. A Petrobras, patrocinadora do festival desde a 3ª edição, passou a apresentar, a partir daquele ano, uma mostra exclusiva com os curtas financiados por seus editais de fomento à produção cinematográfica.

Na Curta Mostra Brasil, o representante goiano foi Rapsódia do absurdo (2006), documentário em vídeo digital dirigido por Cláudia Nunes, premiado no circuito nacional de festivais. Na Curta Mostra Goiás, nota-se, a partir desta edição, uma presença cada vez maior de universitários e realizadores egressos de diferentes cursos superiores oferecidos por instituições públicas e privadas da cidade. Uma consequência do estímulo que a produção universitária recebeu com a criação de festivais dedicados à categoria, entre 2005 e 2008 (Mostra de Vídeos Universitários do FestCine Goiânia, Perro Loco e MIAU). Fazem parte deste grupo realizadores como Lígia Benevides, Marcela Borela, Thiago Camargo, Rafael de Almeida, Renato Cirino e Grupo Empreza (UFG), Rodolfo Carvalhaes, Rodrigo Valle, Rogélia Pinheiro e Larissa Rabelo (Cambury), Thiago Augusto, Benedito Ferreira e Camila Leite (Universidade Estadual de Goiás – UEG), além de Marco Antônio Ferreira (Faculdade Sul-Americana – Fasam).

Premiados
Material bruto, dir. Ricardo Alves Junior – MG (Curta Mostra Brasil)
Pablo Lobato, por Outono – MG (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
Kahehijü Ügühütu, o manejo da câmera, dir. Coletivo Kuikuro de Cinema – Olinda – PE (Curta Mostra Municípios)
Helton Ladeira e Diego Ruiz Aquino, por Noir – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Municípios)
Escadaria, dir. Guilherme Gardinni – GO (Curta Mostra Goiás)
Paulo Rezende, por Um dia no centro – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
14 Bis, dir. André Ristum – SP (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)
As coisas que moram nas coisas, dir. Bel Bechara e Sandro Serpa – SP (Júri Popular/ 6ª Mostrinha)

7 a 12 de outubro de 2008

“Os estudantes daqui de Goiânia são muito interessados, veem as sessões, vão às oficinas, depois vêm conversar com a gente sobre os filmes”.
Ilana Feldman
Curta-metragista participante da Curta Mostra Brasil da 8ª Goiânia Mostra Curtas e premiada na Curta Mostra Brasil da 9ª Goiânia Mostra Curtas

“Eu ensino em uma universidade de cinema, que não tem a disciplina de cinema experimental, nem como disciplina optativa. Aí eu chego aqui, falo de vários cineastas experimentais e as pessoas conhecem, isso é muito rico. E eu não consigo imaginar que uma mostra de cinema como a Goiânia Mostra Curtas não tenha alguma influência nisso”.
Cezar Migliorin
Ministrante de oficina da 8ª Goiânia Mostra Curtas

“É o festival que eu vejo que é um dos mais democráticos do país, pela forma como as películas são colocadas. Então concorrem 35mm, digital, super VHS, todo mundo junto, não há diferença, eu acho isso muito importante num festival”. 
André da Costa Pinto
Curta-metragista paraibano, participante da Curta Mostra Brasil da 8ª Goiânia Mostra Curtas

“É muito importante uma tarde como essa, onde há uma troca de ideias não só entre os que estão na mesa, mas entre os que estão na plateia também. Essa troca é muito saudável”.
Kleber Mendonça Filho
Curta-metragista com várias participações na Curta Mostra Brasil e debatedor da 8ª Goiânia Mostra Curtas

Experimentalismo e criatividade da videoarte brasileira

Ocupando pelo sexto ano consecutivo o Teatro Goiânia – que ao sediar o festival, foi visitado por milhares de espectadores goianienses e conhecido por centenas de convidados de outros Estados brasileiros, a 8ª Goiânia Mostra Curtas marcou uma despedida momentânea do festival de seu tradicional espaço, que durante os dois anos seguintes esteve e está fechado para uma ampla e duradoura reforma. O tema da edição foi a videoarte brasileira, com homenagem ao realizador mineiro Carlosmagno Rodrigues. A Curta Mostra Videoarte destacou o diálogo do audiovisual com as artes plásticas no Brasil, exibindo curtas experimentais, curtas feitos por artistas que se utilizam da tecnologia do vídeo nas artes visuais, e sobre artistas, como foi o caso de Heliorama (2004), homenagem de Ivan Cardoso a Hélio Oiticica. O trabalho pioneiro de Letícia Parente, no Rio de Janeiro (anos 1970), a experiência com as videocabines de Sandra Kogut (anos 1990), além do experimentalismo de Cao Guimarães e Lucas Bambozzi completaram as duas sessões, que contaram também com curtas de outros realizadores.

A responsável pelos três panoramas históricos (experimental, documentário e videoarte brasileiros), exibidos ao público goianiense entre 2006 e 2008, na Goiânia Mostra Curtas, foi a professora Tetê Mattos (Universidade Federal Fluminense/RJ), uma colaboradora que proporcionou ao público cativo do festival um significativo horizonte de referências da cinematografia brasileira em curta-metragem. Na Curta Mostra Brasil, o representante goiano foi Madrugada, vídeo de Leonardo Camarcio.

Premiados
Décimo Segundo, dir. Leonardo Lacca – PE (Curta Mostra Brasil)
Fernando Coimbra, por Trópico das Cabras – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
Cortejo Negro, dir. Diego Müller – RS (Curta Mostra Municípios)
Bruno Jorge, por O Papel das Dobras – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Municípios)
Katteca, dir. Raimundo Alves – GO (Curta Mostra Goiás)
Luiz Eduardo Jorge, por Subpapéis – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
10 centavos, dir. César Fernando de Oliveira – BA (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)
Mão de Vento, Olhos de Dentro, dir. Susanna Lira – RJ (Júri Popular/7ªMostrinha)

6 a 11 de outubro de 2009

“É um dos maiores festivais de curta-metragem do Brasil. É talvez um dos eventos que mais abre espaço para a produção audiovisual de ponta. A seleção dessa quantidade de obras que são exibidas aqui é uma seleção feita com muita inteligência. Esse lado antenado da Goiânia Mostra Curtas em relação ao audiovisual de ponta feito no Brasil, esse ano, se revela de uma forma muito explícita na mostra especial que é dedicada às mídias portáteis”.
Francisco César Filho
Curador da Curta Mostra Mídias Portáteis da 9ª Goiânia Mostra Curtas

“Uma das alegrias aqui em Goiânia é ver essas barreiras totalmente quebradas, totalmente sem distinção de: ‘esse formato é uma coisa’, ‘esse é outra’. Estamos apontando para uma ideia de audiovisual que é uma ideia aberta, expandida, ampla e que se torna cada vez mais acessível, cada vez mais possível de ser distribuída, disseminada e produzida, mesmo por quem não tem uma formação audiovisual”. Lucas Bambozzi
Videoartista homenageado na 9ª Goiânia Mostra Curtas

“A Goiânia Mostra Curtas é uma oportunidade de interagir com os realizadores de curtas-metragens de todo o país. É, portanto, um momento de escuta, de sensibilidade, para perceber as questões de uma jovem geração de realizadores de obras audiovisuais. O festival é importante para nós, da Agência Nacional de Cinema, para tirar a temperatura, para sentir o processo, a maneira como novos agentes adentram no mercado de cinema e audiovisual”.
Manoel Rangel
Presidente da Ancine e convidado da 9ª Goiânia Mostra Curtas

A mudança para o Teatro Madre Esperança Garrido

Houve uma enorme batalha por um novo espaço que pudesse acolher a 9ª Goiânia Mostra Curtas. A organização se preocupava em manter a qualidade de projeção, o conforto e a localização no centro da cidade e já cogitava realizar a edição em um cinema pornô. Esse problema evidenciou um grave descompasso entre o movimento gerado pelos eventos realizados em Goiânia e a falta de aparelhos culturais que possam dar suporte a esse movimento na cidade, uma crise que se arrasta até hoje. Colaboram tanto a morosidade do poder público na manutenção dos espaços culturais existentes como a inexistência de investimentos da iniciativa privada nesse tipo de empreendimento. Por fim, faltando alguns meses para a realização do festival, é inaugurado o Teatro Madre Esperança Garrido, no Colégio Santo Agostinho – local perfeitamente adequado para as intenções da organização.

A nona edição do festival teve início com a realização de um seminário de crítica de cinema, ministrado por Marcelo Lyra. O grupo de alunos preparado nesse seminário realizou a cobertura do festival, publicando textos críticos no blog criado especificamente para essa finalidade. O tema escolhido para a 9ª Goiânia Mostra Curtas foram as mídias portáteis, com a realização de oficina ministrada por Nacho Durán, debates sobre novos formatos de distribuição e retrospectiva das três primeiras edições do Vivo arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Portáteis, um dos homenageados pela mostra, além de sessão especial com os curtas de Lucas Bambozzi (curadoria de Francisco César Filho). O voto popular da Mostrinha e da Curta Mostra Cinema nos Bairros foi estendido às demais sessões competitivas do festival, passando a oferecer um prêmio extra na Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Municípios e Curta Mostra Goiás. Confirmando uma tendência da curadoria que se afirmou a partir de 2006, apenas um trabalho local foi selecionado para a Mostra Brasil – o vídeo Descrição da Ilha da Saudade ou Baudelaire e os teus cabelos (2009), dirigido por Alyne Fratari.

Premiados
Olhos de ressaca, dir. Petra Costa – RJ (Curta Mostra Brasil)
Cléber Eduardo e Ilana Feldman, por Rosa e Benjamin – SP (Melhor Direção/Curta Mostra Brasil)
DJ do Agreste, dir. Regina Célia Barbosa – AL (Júri Popular/Curta Mostra Brasil)
De volta à terra boa, dir. Vincent Carelli – Olinda – PE (Melhores Curta e Direção/Curta Mostra Municípios)
Preistachion 13, dir. Ricardo Piologo, Rodrigo Piologo e Rogério Vilela – SP (Júri Popular/Curta Mostra Municípios)
A luta continua, dir. Movimento do Vídeo Popular – GO (Curta Mostra Goiás)
Grupo Empreza, por Pedra Como Passagem – GO (Melhor Direção/Curta Mostra Goiás)
Amor sem palavras, dir. Thiago Augusto – GO (Júri Popular/Curta Mostra Goiás)
Calango Lengo – morte e vida sem ver água, dir. Fernando Miler – SP (Júri Popular/Curta Mostra Cinema nos Bairros)
Enciclopédia, dir. Bruno Gularte Barreto – RS (Júri Popular/8ª Mostrinha)

5 a 10 de outubro de 2010

A Goiânia Mostra Curtas completa dez anos de incessante busca pela democratização audiovisual, qualificação profissional e formação de plateias para o cinema brasileiro – motivo que leva o festival, em sua décima edição, a refletir sobre as conquistas obtidas e os desafios ainda enfrentados pelo audiovisual nesse período. Foram dez anos de muitas produções, trabalho em equipe, obstáculos, aprendizado, superação e realizações. Foi a década que reavivou o cinema em Goiás e o consolidou no circuito de festivais nacionais de cinema. Foi o período em que o cinema brasileiro, por meio do curta-metragem, reinventou sua linguagem, suas estéticas e narrativas, ressignificando e difundindo toda a diversidade cultural do país.

A diversidade sexual norteou as atividades da 11ª Goiânia Mostra Curtas, que se realizou entre 4 e 9 de outubro de 2011, no Teatro Goiânia. Nessa ocasião, o Instituto de Cultura e Meio Ambiente promoveu a confluência de ações e obras capazes de estimular o diálogo entre o audiovisual e a sociedade, com foco na sexualidade, direito de todo ser humano.

Os filmes selecionados pelos curadores Beth de Sá Freire e Rafael Sampaio para a mostra especial Os devassos chegam ao paraíso foram divididos em dois programas: Nada será como antes e Estranhos no Ninho. O trabalho de curadoria contou com a consultoria especializada da produtora cultural Suzy Capó, co-fundadora do Festival Mix Brasil. Foram exibidos 114 filmes de curta duração, que compuseram a mostra especial e as mostras competitivas de livre temática.

Em 2012, o foco da Goiânia Mostra Curtas na personalidade feminina nas imagens do Brasil atual possibilitou ainda homenagear e reunir cineastas e profissionais de quilate para a cinematografia brasileira, como Lígia Diniz, irmã de Leila Diniz (homenagem póstuma), Sara Silveira, Juliana Rojas, Cláudia Priscilla e tantas mulheres e homens do cinema que estiveram conosco durante toda a mostra.

86 produções de 22 estados disputaram, em cinco mostras competitivas, prêmios de incentivo à produção concedidos por empresas da indústria cinematográfica e o gosto do público, que também elegeu o melhor curta-metragem em cada categoria – Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Municípios, Curta Mostra Goiás, 11ª Mostrinha e Curta Mostra Cinema nos Bairros. A Curta Mostra Especial Mulheres na Direção – A personalidade feminina nas imagens do Brasil atual (não competitiva) foi dividida em duas sessões, que apresentaram as produções em curta-metragem dirigidas por mulheres mais representativas do país.

Em 2013, o Brasil e o mundo voltaram seus olhares para a Copa das Confederações e aos esforços e investimentos gerados pela Copa do Mundo 2014, o que levou a paixão nacional, que é o Futebol, ao foco da Mostra Especial da décima terceira edição da Goiânia Mostra Curtas.

A programação deste ano contribuiu em cinco mostras competitivas, a reunião de 90 obras selecionadas entre o número de 724 filmes inscritos, produzidos entre 2012 e 2013, oriundos de quase todos os estados brasileiros, representativo da crescente produção do formato. Sempre em consonância como os movimentos e fluxos atuais, oficinas, encontros, debates e palestras, complementaram ainda a programação.

De 7 a 12 de outubro de 2014, foi realizada a 14ª edição da Goiânia Mostra Curtas. Neste ano o festival foi metalinguístico e seu tema principal era o próprio cinema e audiovisual. A Mostra Especial levou o nome Brasil 1980: Revolução Criativa na TV Independente, com curadoria de Rafael Sampaio e Francisco Cesar.

A 14ª edição contou ainda com um lançamento literário. O livro Pensamento Industrial Cinematográfico Brasileiro, do escritor e professor da UFSCAR Arthur Autran, foi lançado no hall do Teatro Goiânia, como programação do festival. O diretor de cinema e publicidade, apresentador de televisão, fotógrafo, artista visual, poeta, designer, entre tantas outras atuações, Tadeu Jungle, foi um dos homenageados. O apresentador Marcelo Tas também foi homenageado pela sua atuação na transformação do audiovisual brasileiro.

Em 2015, uma edição comemorativa de 15 anos da Goiânia Mostra Curtas. A arte do grupo Bicicleta Sem Freio coloriu o festival, que teve como tema da Mostra Especial Imagens insurgentes: a cidade que emana de coletivos – O cinema inspirado pela observação crítica do ambiente urbano transformado em nome do “desenvolvimento”.

A Curta Mostra Brasil, em sucesso absoluto, teve 42 filmes selecionados. A Mostra Goiás contou com 21 produções, a Mostra Municípios, 10, e a Mostrinha, 8. A Curta Mostra Cinema nos Bairros exibiu 7 filmes por diversas regiões da capital goiana. Foram homenageados a atriz Gilda Nomacce; o cenógrafo, diretor artístico e publicitário Shell Jr. (in memorian); o Coletivo de Cinema de Ceilândia – Ceicine; o coletivo Telephone Colorido; o Pe. Sérgio Bernardoni, pela sua trajetória à frente do Centro Cultural Cara Vídeo, em Goiânia; além de parceiros, empresários e organizações sociais que apoiaram o festival nesses 15 anos.