Filmes premiados

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Homenagem


Homenagem da 16ª Goiânia Mostra Curtas

 

Irandhir Santos

 

irandhir_santos_5Por dar vida, alma e densidade a personagens inesquecíveis em sua relevante e dedicada atuação no cinema brasileiro contemporâneo, a 16a Goiânia Mostra Curtas homenageia o ator pernambucano Irandhir Santos.

Conhecido pelo seu carisma, excelência técnica e pela entrega aos personagens que interpreta, de coadjuvantes a protagonistas, Irandhir Santos é um dos atores de maior destaque no cenário artístico atual do país, tendo conquistado dezenas de prêmios ao longo da carreira, fruto de seu dedicado trabalho em alguns dos filmes brasileiros mais importantes do século XXI.

Natural de Barreiros, graduou-se em Licenciatura em Artes Cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, cidade onde atuou em diversas peças teatrais com o grupo de teatro Somente, liderado por André Cavendish. Estreou na tela grande em 2005, com o premiado filme Cinema, aspirinas e urubus, dirigido por Marcelo Gomes. Entre diversos curtas e longas-metragens, sua atuação brilhou em Baixio das Bestas e Febre do Rato, ambos dirigidos por Cláudio Assis; Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz; Tropa de Elite 2, de José Padilha; Tatuagem, de Hilton Lacerda; A História da Eternidade, de Camilo Cavalcanti; Ausência, de Chico Teixeira; O Som ao Redor e Aquarius, de Kleber Mendonça Filho.

Na televisão, atuou nas minisséries da TV Globo A Pedra do Reino, dirigida por Luís Fernando Carvalho, Amores Roubados, sob direção de José Luiz Villamarim e na série Dois Irmãos, gravada em 2015 e dirigida por Luís Fernando Carvalho – diretor com quem trabalhou também nas novelas Meu Pedacinho de Chão e, mais recentemente, em Velho Chico.

Por meio desta homenagem, a Goiânia Mostra Curtas reconhece e orgulha-se deste grande ator brasileiro, que inspira artistas iniciantes e veteranos e emociona as mais diversas plateias.


Homenageados na Curta Mostra Especial

Cinema Negro Brasil Contemporâneo, da 16ª Goiânia Mostra Curtas

Zózimo Bulbul – Ator (in memorian)

 

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Zózimo Bulbul

Zózimo Bulbul poderia se satisfazer com o título de negro mais bonito do Brasil, ou com o pioneirismo enquanto primeiro protagonista negro em uma novela, ou por seu personagem de destaque, em par romântico com Renée de Vielmond no longa Compasso de Espera, mas seu nome na história do audiovisual se marcou pela inquietação em aceitar ser o modelo e um dos atores de destaque do Cinema Novo, nos anos 60 e 70, para ser roteirista e diretor de seus próprios filmes, e trazer um olhar autêntico e militante sobre o negro no Brasil em seus filmes.

Seu pioneirismo criou obras primas como o curta-metragem Alma no Olho, filmes históricos como os documentários Abolição e Aniceto do Império em Dia de Alforria, e seu desejo de dar sentido ao papel de seus pares dentro da cadeia audiovisual, tirando a invisibilidade do autor e realizador negro o fez criar em 2007 o Centro Afro Carioca de Cinema, no Rio de Janeiro, que além de espaço de pesquisa e ponto de encontro dos realizadores negros, realiza o principal festival de cinema negro do gênero, o já consagrado Encontro de Cinema Negro Brasil, África & Caribe Zózimo Bulbul.

Inquietação provoca o movimento, e aquele que da atuação optou por dizer “ação”, marcou o ponto de virada do roteiro do cinema brasileiro, abrindo o caminho para se discutir o negro pela perspectiva do negro.

Nesta edição o Goiânia Mostra Curtas concede a homenagem à Zózimo Bulbul, representado por sua grande parceira e esposa Biza Viana.


Adelia Sampaio – Diretora

 

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Adelia Sampaio

O cinema sempre teve como presença marcante artisticamente os homens brancos como autores e realizadores. Como esperar que neste cenário uma filha de empregada doméstica, nos anos 70, se tornaria realizadora e, nos anos 80, se tornaria a primeira realizadora negra em longa-metragem?

Adelia Sampaio fez isso, além de curtas-metragens, documentários e programas educativos para a televisão, e se firmou como produtora de filmes importantes na história do cinema. Amor Maldito, seu longa-metragem lançado em 1984, além do feito ainda trouxe a ousadia de abordar em sua trama um romance homossexual, o que quase inviabilizou a sua produção.

Seu pioneirismo ganha dimensão ao percebermos que desde 2002 apenas longa-metragem de ficção brasileiro foi assinado por uma mulher, e que seu nome só agora vem sendo reconhecido nos cursos de cinema graças à busca por representatividade das mulheres negras dentro do audiovisual, e às pesquisas acadêmicas que trouxeram luz ao trabalho desta experiente profissional do audiovisual, ainda em atividade e cheia de projetos.

A Goiânia Mostra Curtas homenageia Adelia Sampaio por seu pioneirismo no cinema brasileiro.


Chica Xavier e Ruth de Souza

 

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Chica Xavier

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, existente há pouco mais de um século, foi o palco dos maiores espetáculos de música e algumas obras teatrais de maiores dimensões.

Foi também espaço para marcos das artes cênicas, como a estreia da jovem carioca Ruth Pinto de Souza, que em 1945 ingressou no Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento, e se tornou a primeira mulher negra a pisar neste palco, na montagem de O Imperador Jones, de Eugênio O’Neill. Aproximadamente uma década depois uma baiana de Salvador faria sua estreia como atriz, coincidentemente no mesmo palco, na famosa montagem deOrfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, a jovem Francisca Xavier Queiroz de Jesus.

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Ruth de Souza

De lá para cá, e tendo histórias de vidas e de realizações nas artes cênicas que são símbolos para todas as gerações que se sucederam de atrizes negras brasileiras, ambas foram intituladas como Damas Negras (junto as também marcantes Léa Garcia e Zezé Motta).

Ruth de Souza e Chica Xavier completam em 2016, respectivamente, 70 e 60 anos de carreira, estão ainda presentes dentre nós, com aparições públicas raras, mas com a memória de suas atuações marcantes, em especial no cinema e na televisão aonde podemos, por vezes, revisitar seus momentos marcantes, e toda a ancestralidade e potência de atuação destas duas grandes atrizes.

Apesar de décadas marcando presença em nosso imaginário, os últimos trabalhos em longa-metragem mostram o quanto suas biografias e referência de vida vem para as telas, como Ruth de Souza, em um papel inspirado em sua biografia, em Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, obra de 2005, e a superprodução Nosso Lar, de 2010, com Chica Xavier.

Neste momento que o Goiânia Mostra Curtas traz dois programas especiais com um apanhado do cinema negro brasileiro no século XXI, e a presença cada vez mais marcante das mulheres no papel de realizadoras audiovisuais, fazemos esta justa homenagem às atrizes que brilharam nas telas e abriram caminho para que as jovens e talentosas diretoras e roteiristas do presente momento assumam o comando e local de fala nas narrativas, diversificando e contribuindo para a evolução do cinema brasileiro.


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