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Chica Xavier


Chica Xavier é Francisca Xavier Queiroz de Jesus, baiana de Salvador, que após uma infância de muitas batalhas pessoais, para sobreviver a pobreza, estudar e ajudar sua mãe, migrou para o Rio de Janeiro em 1954, acompanhada de seu namorado e futuro marido, Clementino Kelé, para realizar dois sonhos: conhecer seu pai e se tornar atriz. Trabalhou no INEP em paralelo aos estudos no grupo de teatro Duse, de Paschoal Carlos Magno, na mesma turma de Othon Bastos, e estreou profissionalmente dois anos depois, junto com um grande e importante elenco negro, na montagem de Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no papel de Dama Negra.

Sua primeira aparição no cinema aconteceu anos depois, em uma cena marcante, contracenando com seu marido Clementino Kelé em Assalto Ao Trem Pagador, de Roberto Farias, aparição esta que chamou a atenção de Fabio Sabag e lhe rendeu o primeiro convite para atuar na televisão, que passou a ser sua mídia principal, onde estreou em uma pequena participação em Cabana do Pai Tomás.

Trabalhou em mais de 50 programas para Televisão entre novelas, especiais e séries, com participações memoráveis como a Inácia da novela Renascer, a Bá de Sinhá Moça, ambas da TV Globo, e a Biá em Os Imigrantes, na TV Bandeirantes. Mas nada tão marcante no imaginário do público como a ialorixá Magé Bassã, da série Tenda dos Milagres, exibida no final dos anos 80, e onde ela pôde não só representar uma líder religiosa empoderada dentro da trama, fora dos estereótipos padrão na dramaturgia nacional, como trazer para as telas um importante aspecto de sua vida pessoal, a sua relação com as religiões de matriz africana. Suas últimas participações no cinema foram os longas-metragens Nosso Lar, de Wagner de Assis, e Mulheres no Poder, de Gustavo Accioly.


Homenagem

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, existente há pouco mais de um século, foi o palco dos maiores espetáculos de música e algumas obras teatrais de maiores dimensões.

Foi também espaço para marcos das artes cênicas, como a estreia da jovem carioca Ruth Pinto de Souza, que em 1945 ingressou no Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento, e se tornou a primeira mulher negra a pisar neste palco, na montagem de O Imperador Jones, de Eugênio O’Neill. Aproximadamente uma década depois uma baiana de Salvador faria sua estreia como atriz, coincidentemente no mesmo palco, na famosa montagem deOrfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, a jovem Francisca Xavier Queiroz de Jesus.

De lá para cá, e tendo histórias de vidas e de realizações nas artes cênicas que são símbolos para todas as gerações que se sucederam de atrizes negras brasileiras, ambas foram intituladas como Damas Negras (junto as também marcantes Léa Garcia e Zezé Motta).

Ruth de Souza e Chica Xavier completam em 2016, respectivamente, 70 e 60 anos de carreira, estão ainda presentes dentre nós, com aparições públicas raras, mas com a memória de suas atuações marcantes, em especial no cinema e na televisão aonde podemos, por vezes, revisitar seus momentos marcantes, e toda a ancestralidade e potência de atuação destas duas grandes atrizes.

Apesar de décadas marcando presença em nosso imaginário, os últimos trabalhos em longa-metragem mostram o quanto suas biografias e referência de vida vem para as telas, como Ruth de Souza, em um papel inspirado em sua biografia, em Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, obra de 2005, e a superprodução Nosso Lar, de 2010, com Chica Xavier.

Neste momento que o Goiânia Mostra Curtas traz dois programas especiais com um apanhado do cinema negro brasileiro no século XXI, e a presença cada vez mais marcante das mulheres no papel de realizadoras audiovisuais, fazemos esta justa homenagem às atrizes que brilharam nas telas e abriram caminho para que as jovens e talentosas diretoras e roteiristas do presente momento assumam o comando e local de fala nas narrativas, diversificando e contribuindo para a evolução do cinema brasileiro.


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