Confira os premiados

17ª Goiânia Mostra Curtas começa com homenagens e teatro cheio


 

A 17ª Goiânia Mostra Curtas foi aberta nessa terça-feira (3), em cerimônia marcada por homenagens e discursos políticos. Estrelas da noite, a atriz paraense Dira Paes e a cantora Ava Rocha emocionaram o público ao levantar bandeiras sociais contra a censura da arte e a favor dos povos indígenas. O festival vai até domingo, com exibições de mais de 90 filmes e agenda cultural ampla.

No discurso que marcou o início da programação, a diretora geral da Goiânia Mostra Curtas, Maria Abdalla, destacou os desafios de trabalhar com cultura no Brasil, principalmente “nesse presente de inconstâncias políticas e econômicas”. Contudo, a responsável pelo evento frisou que é importante “olhar para os frutos destes anos de sucesso e olhar para dentro, organizar a casa, valorizar e estimular o que temos de mais forte”.

Sobre a continuidade da Goiânia Mostra Curta, ao longo de 17 anos, a homenageada da noite, Dira Paes, elogiou a força de vontade de Maria Abdalla, reconhecida, pela atriz, como uma “mulher forte, de vanguarda e de visão, por acreditar num projeto e reunir esforços para mantê-lo, fortalecendo a cultura audiovisual brasileira”.

A atriz também endossou a importância do festival como instrumento de expressão artística. “Nós, artistas, temos o privilégio e a responsabilidade de nos expressar, sem fronteiras e sem amarras. Qualquer tentativa de cercear a arte e censurá-la é um retrocesso. O fato de um museu é intimidado por causa de uma nudez demonstra que o povo não está preparado para o século 21”, falou sobre os recentes casos de protestos contra a performance nua do artista Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna de São Paulo e, também, sobre a exposição Queer Museu, cancelada em Porto Alegre.

Neste ano, a Curta Mostra Especial tem como o eixo temático “Os Índios e o Cinema”, linha também elogiada por Dira. “O povo indígena é o nosso anfitrião do País e é muito importante lembra-lo e representa-lo”, afirmou. Após o discurso da homenageada, foi exibido o filme Matinta, do diretor paraense Fernando Segtowick, de 2010.

O pocket show da noite também foi marcado por protesto a favor dos indígenas. Ava Rocha, acompanhada dos músicos Dinho Almeida, do Boogarins, e Marcelo Campello, foi ao palco com uma faixa “Demarcação Já”. Os dizeres fazem referência à a paralisação das demarcações de terras, o enfraquecimento da Fundação Nacional do Índio e à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere a responsabilidade das demarcações do Executivo para o Legislativo.

Homenagem póstuma

Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a homenagem póstuma ao cineasta João Henrique de Almeida Pacheco, que morreu no último dia 22, vítima de um acidente de trânsito. O jovem, de apenas 26 anos, foi lembrado por seu “legado de arte, luz e alegria”.