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Curta Mostra Especial Gênero e Invenção da 18ª Goiânia Mostra Curtas tem a mulher como tema


Em consonância com temáticas relevantes do cotidiano e que refletem diretamente no audiovisual, a Curta Mostra Especial em 2018 promove a discussão sobre a mulher e o cinema brasileiro. Com o tema “Gênero e Invenção: tornar-se mulher no cinema de curta-metragem contemporâneo”, a diretora, roteirista e antropóloga Maíra Bühler, curadora da mostra elegeu 12 curtas-metragens, divididos em duas partes, que serão exibidos nos dias 6 e 7 de outubro, sábado e domingo. O objetivo é ampliar o debate sobre relações de gênero no cinema, desconstruindo imagens fixas e estereotipadas e pensando na construção de novas narrativas e subjetividades.

“Os curtas que serão mostrados, cada um à sua maneira, propõem reflexões sobre mulheres ausentes na tradição cinematográfica dominante. São narrativas comprometidas com a construção de subjetividades dissidentes dos modelos dados pelo status quo. Escolhi para isso fazer um recorte temporal, concentrando-me na produção realizada a partir de 2013, escolhido como um ano chave na emergência de importantes debates políticos na agenda do país, entre eles os que tangem a condição feminina e as relações de gênero”, explica a curadora.

A primeira parte, que será exibida no dia 6 de outubro, terá como mote “Criar, emancipar, denunciar” e exibirá seis curtas. Fazem parte as produções “Mini Miss”, de Rachel Daisy Ellis; “Quem Matou Eloá?”, de Lívia Perez; “Sweet Heart”, de Amina Jorge; “Latifúndio”, de Érica Sarmet; “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares e “Trans*lucidx”, de Miro Spinelli. Já na segunda parte, que será apresentada no dia 7 de outubro, o lema “Denunciar, criar, emancipar”, apresenta outras seis produções. “A Boneca e o Silêncio”, de Carol Rodrigues; “K-Bela”, de Yasmin Thayná; “Outras”, de Ana Júlia Travia; “Tailor”, de Calí dos Anjos; “No Devagar Depressa dos Tempos”, de Eliza Capai e “Peripatético”, de Jéssica Queiroz.

A programação da Curta Mostra Especial ainda traz um debate sobre os desafios da desconstrução e da criação da imagem da mulher no cinema, com a presença da antropóloga Silvana Nascimento, a cineasta Ana Carolina Soares, a diretora e roteirista Carol Rodrigues e a atriz, roteirista e realizadora transexual Julia Katharine. Além disso, as duas homenageadas desta edição são nomes que vão na contramão da ideia de que o cinema brasileiro é majoritariamente masculino e branco. Yasmin Thayná é cineasta, diretora e fundadora da Afroflix, plataforma criada para divulgar filmes dirigidos, protagonizados e produzidos por negros. Juliana Vicente é diretora, produtora e fundadora da Preta Portê Filmes.  Dirigiu o curta “Cores e Botas”, exibido mundialmente em mais de 50 festivais, sobre uma menina negra que quer ser Paquita.

 

Representatividade

“Muito do que conhecemos hoje sobre a história do cinema brasileiro vem de um recorte masculino, que ainda se mantém. Ao trilhar esse caminho por uma perspectiva única – a do homem branco – a indústria cinematográfica reforça padrões nocivos, deixando as mulheres em desvantagem. Embora, nos últimos anos, a temática sobre a representação feminina no cinema venha ganhando foco, ainda é preciso percorrer um caminho longo e árduo até alcançarmos a paridade de gênero”, afirma Maria Abdalla, diretora geral da Goiânia Mostra Curtas.

De acordo com dados do Informe sobre Diversidade de Gênero e Raça no Cinema em 2016, divulgado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), , que leva em consideração produções comerciais, chegaram às telas daquela ano apenas 25 produções brasileiras com direção exclusivamente feminina, representando apenas 16% dos longas. Onze filmes tiveram direção mista, enquanto os homens estiveram à frente de 124 longas-metragens, 77% do total. O filmes lançados por mulheres também tiveram menos espaço sendo lançados em uma média de 65,4 salas, enquanto os feitos por homens chegaram a 83,1 espaços de exibição, em média. Os dados ainda revelam que o recorte racial é ainda mais desfavorável, já que apenas 2% das direções foram feitas por homens negros e nenhum filme dirigido por mulher negra chegou às salas de cinema em 2016.

Realização

O festival é realizado pelo Icumam Cultural e Instituto, com o incentivo institucional do Ministério da Cultura por meio da Secretaria do Audiovisual, e da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), por meio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás e apoio da Unimed Goiânia. O Icumam busca outros parceiros junto a empresas, parcerias institucionais e organizações do terceiro setor para sua realização.

Serviço:

18ª Goiânia Mostra Curtas

Data: De 2 a 7 de outubro de 2018

Local: Teatro Goiânia

Mais informações: (62) 3218-3779