Confira a programação completa

CURTA MOSTRA BRASIL


3.out (qua) – 19h

 

Maré (BA) – 2018 – Fic – 22 min. Direção: Amaranta Cesar

Fantasia de Índio (PE) – 2017 –  Doc – 18 min. Direção: Manuela Andrade

Apenas o Que você Precisa Saber Sobre Mim (SC) – 2017 fic 15 min. Direção: Maria Augusta

Kairo (SP) – 2018 Fic – 15 min. Direção: Fabio Rodrigo

Que Som Tem a Distância? (RS) – 2018 – Doc – 15min. Direção: Marcela Schild

Intervalo – 15 minutos

Avalanche (AL) – 2017 –  Fic – 21 min. Direção: Leandro Alves

Afronte (DF) – 2017 – Doc – 16 min. Direção: Bruno Victor e Marcus Azevedo

A Mulher do Treze (ES) – 2017 – Fic – 16 min. Direção: Rejane Kasting Arruda

A Canção de Alice (CE) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Bárbara Cariry

 


4.out (qui) – 19h

 

Nova Iorque (PE) – 2018 – Fic – 24 min. Direção: Leo Tabosa

A Retirada Para um Coração Bruto (MG) – 2017 – Fic 14 min. Direção: Marco Antônio Pereira

Estamos Todos Aqui (SP) – 2017 – Fic – 19 min. Direção: Chico Santos e Rafael Mellim

Maria (AM) – 2017 – Doc – 17 min. Direção: Elen Linth e Riane Nascimento

Terremoto Santo (PE) – 2017 – Doc – 19 min. Direção: Bárbara Wagner & Benjamin de Burca

Intervalo – 15 minutos

conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados (PE)/(MG) – 2018 – Doc – 23 min.

A Gente Nasce Só de Mãe (MT) – 2017 – Fic – 18 min. Direção: Caru Roelis

À Cura do Rio (MG) – 2017 – Fic – 18 min. Direção: Mariana Fagundes

O Cego da Casa Amarela (GO) – 2018 – Fic – 18min. Direção: Joachim Nadar e Lemuel Gandara

 


5.out (sex) – 19h

 

Imagem e Semelhança (SP) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Rogério Borges

Fervendo (BA) – 2017 – Fic – 16 min. Direção: Camila Gregório

Tea For Two (SP) – 2018 – Fic 25 min. Direção: Julia Katharine

Febre (SP) – 2017 – Fic -23 min. Direção: João Marcos de Almeida e Sergio Silva

Lui (PR) – 2018 – Fic – 18 min. Direção: Denise Kelm

Intervalo – 15 minutos

Kris Bronze (GO) – 2018 – Doc – 24min. Direção: Larry Machado

Tentei (PR) – 2017 – Fic – 15 min. Direção: Laís Melo

Carne (RJ) – 2017 – Fic – 11 min. Direção: Mariana Jaspe

Aquarela (MA) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Thiago Kistenmacker e Al Danuzio

 


6.out (sab) – 19h

 

O Órfão (SP) – 2018 – Fic 15 min. Direção: Carolina Markowicz

Guaxuma (PE) – 2018 – Ani – 14 min. Direção: Nara Normande

BR3 (RJ) – 2017 – Fic – 23 min. Direção: Bruno Ribeiro

Sweet Heart (SP) – 2018 –  Fic – 21 min. Direção: amina Jorge

MC Jess (RJ) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: Carla Villa-Lobos

Intervalo – 15 minutos

Mini Miss (PE) – 2018 – Doc – 15 min. Direção: Rachel Daisy Ellis

Boca de Loba (CE) – 2018 – Fic – 19 min. Direção: Bárbara Cabeça

Reforma (PE) – 2018 – Fic – 16 min. Direção: Fábio Leal

Latifúndio (RJ) – 2017 – Exp – 11 min. Direção: Érica Sarmet

 

 


Brasil emergencial

Fazer um recorte recente do audiovisual brasileiro em curta-metragem é uma responsabilidade que a cada ano se torna maior. Diante da realidade em que o país se encontra, estamos falando de um caráter até mesmo urgente do ponto de vista de demandas sociais e políticas. Nesta edição, temos produções que trazem temas como intolerância, discussões de gênero, violência contra a mulher, religião e todo um universo de situações e abordagens emergenciais. Para mim, o cinema desempenha um papel inegável como ferramenta de expressão, representatividade e denúncia.

São 36 produções de 15 estados e o Distrito Federal, escolhidas para compor a Curta Mostra Brasil, sobretudo pela diversidade cultural, atualidade e inventividade da linguagem cinematográfica apresentadas, sendo: 26 curtas de ficção, 8 documentários, um experimental e uma animação. Este ano, diante de um número expressivo de inscrições e 24 filmes dirigidos por mulheres, a representatividade feminina se mostra forte, resistente e em crescimento latente. Esse recorte compreende desde filmes premiados pelo mundo até produções inéditas no país, que conectam-se entre si e remontam a atual conjuntura do nosso país.

Ao longo desses dezoito anos de Goiânia Mostra Curtas, sempre foi uma prioridade retratar o Brasil de forma ampla, democrática e fiel às características das diferentes regiões do país. Dessa forma, a intenção continua a mesma: garantir ao público a possibilidade de se encantar, inquietar, discutir temas pertinentes e se permitir ser tocado por filmes de diferentes temas, origens, gêneros e formatos.

 

Maria Abdalla

Curadora

CURTA MOSTRA GOIÁS


3.out (qua) – 15h

 

O Cego da Casa Amarela (GO) – 2018 – Fic – 18 min. Direção: Joachim Nadar e Lemuel Gandara

O Malabarista (GO) – 2018 – Ani – 11 min. Direção: Iuri Moreno

Assim Nascem as Amoras (GO) – 2017 – Exp – 5 min. Direção: Larry Machado

Frame Fatal (GO) – 2017 – Fic – 21 min. Direção: Thiago Rabelo

MONDO LXXV (GO) – 2017 – Exp – 7 min. Direção: Rei Souza

Alô, maman (GO) – 2018 – Fic – 11 min. Direção: Michely Ascari

O Tamanho da Pedra (GO) – 2017 – Fic – 16 min. Direção: Hélio Fróes

 


4.out (qui) – 15h

 

Kris Bronze (GO) – 2018 – Doc- 24 min. Direção: Larry Machado

Wide Awake (GO) – 2018 – Exp – 7 min. Direção: Rafael de Almeida

Lilith (GO) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: Edem Ortegal

Diriti de Bdè Burè (GO) – 2018 – Doc – 18 min. Direção: Silvana Beline

Sr. Raposo (GO) – 2018 – Ficção – 22min. Direção: Daniel Nolasco

 


Produção de Goiás dialoga com gêneros e experimental tem destaque

            A produção de curtas do estado de Goiás, esse ano, dialoga com o estado da produção em esferas mais amplas (nacional e internacional), principalmente pelo retrabalho da forma, mas também se alimenta de preocupações locais, no sentido da abordagem de determinados temas. As duas sessões contemplam assim ficções narrativas, documentários de observação e um grande destaque para o cinema experimental.

            A primeira sessão começa com O Cego da Casa Amarela. Para além de uma filiação cinéfila, a obra, ousada em sua fatura, aponta para o poder da imagem cinematográfica clássica de nos tirar da obscuridade, com leveza e emoção. Já O Malabarista é uma animação ficcional, gênero tão hibrido e pouco privilegiado sobre uma profissão urbana em franca ascensão. Assim nascem as amoras dá um respiro na narrativa para apontar para um imaginário em que a disjunção entre imagem e som, faz-nos estranhar nosso cotidiano e reverbera as dúvidas de amadurecimento do personagem-diretor. Frame Fatal revisita o filme noir, num exercício de gênero ao mesmo tempo reverencial e singularizado. A nota experimental volta à sessão com Mondo LXXV, que nos leva num mergulho pela geologia do planeta revelando texturas e porosidades somente alcançados pela lentes de uma famosa revista científica. O documentário Alô, maman acerta ao misturar cinema direto e intensidade emocional para tratar do cotidiano de imigrantes haitianos no Brasil. A sessão se termina com O tamanho da pedra, filme inquietante que flerta com a ficção-científica e o western para propor uma intrincada relação entre parceiros de trabalho.

            A segunda sessão abre-se com Kris Bronze, documentário de observação (talvez nem tanto assim) certeiro em seu posicionamento. Quando a dona de um centro de bronzeamento resolve comemorar o dia da mulher, o cineasta filma o Brasil inteiro dentro de um quintal com mural havaiano e tucanos, num misto de empatia e espírito crítico por um grupo de mulheres emancipadas (mas talvez nem tanto assim). Ainda no espírito de crítico ao culto ao corpo, Wide Awake é filme de montagem bem humorada e texturas nostálgicas. Já Lilith abusa das notas obscuras e sombrias para, mais uma vez, criar uma narrativa de gênero (genre e gender) onde o arquétipo feminino é o centro das preocupações. Diriti de Bdè Burè, documentário sobre uma senhora indígena retoma o lugar da imagem de arquivo como processo de investigação de personagem para além do que a imagem documental consegue, a princípio, captar. Os anseios e medos de uma geração estão em Sr. Raposo, que encerra a sessão, filme soturno e provocador, eros e tânatos, numa pequena cidade do interior.

Pedro Maciel Guimarães

Curador

CURTA MOSTRA ANIMAÇÃO


5.out (sex) – 15h


Torre (SP) – 2017 – Ani – 18 min. Direção: Nádia Mangolini

Me, by J-Money (SP) – 2017 – Ani – 1min. Direção: Daniel Bruson

Guaxuma (PE) – 2018 – Ani – 14 min. Direção: Nara Normande

Mãe (RJ) – 2018 – Ani – 3min. Direção: Gordeeff

Garoto transcodificado a partir de fosfeno (SP) – 2017 – Ani – 2 min. Direção: Rodrigo Faustini

Disexta (SP) – 2018 – Ani – 11 min. Direção: André Catoto

O Malabarista (GO) – 2018 – Ani – 11 min. Direção: Iuri Moreno

As Bordadeiras do Jardim (SP) – 2017 – Ani – 3min. Direção: Julia Vellutini

Relatividade (PR) – 2018 – Ani – 3 min. Direção: Carlon Hardt

Almofada de Penas (SC) – 2018 – Ani – 12 min. Direção: Joseph Specker Nys

Paula Cavalciuk – Morte E Vida Uterina (SP) – 2017 – Ani – 4 min. Direção: Daniel Bruson

Destino (SP) – 2017 – Ani – 1 min. Direção: Moisés Pantolfi

Aquário (SP) – 2018 – Ani – 2 min. Direção: Alice Andreoli Hirata

Boi (SP) – 2018 – Ani – 13 min. Direção: Lucas Bettim e Renan Carvalho

O Homem na Caixa (RJ) – 2018 – Ani – 19 min. Direção: Ale Borges, Alvaro Furloni e Guilherme Gehr


Os Caminhos da Animação Brasileira

15 filmes compõem a sessão de curtas animados nessa edição de 2018, são animações de 6 estados brasileiros com as mais diversas temáticas e técnicas. O olhar da animação se volta para o mundo, para questões políticas e para dentro de si. A técnica não é só uma ferramenta, mas recurso que agrega e cria significados para ampliar a narrativa. Muitas vezes a animação invade o mundo real, modifica, cria novas camadas de leitura. Um traço simples, um olhar atento e sensível num mundo bombardeado de informações, nos faz parar para ver de outra maneira, sobre a perspectiva de algo que está além da imagem codificada e talvez com isso, retorne ao seu estado original. A animação brasileira cresce, o pensamento em torno da proposta artística amadurece, e a pesquisa pela linguagem segue, mostrando cada vez mais nosso lado autoral e uma busca de encontrar o ritmo que só a animação permite.

Cesar Cabral

Curador

CURTA MOSTRA ESPECIAL – GÊNERO E INVENÇÃO: TORNAR-SE MULHER NO CINEMA DE CURTA-METRAGEM CONTEMPORÂNEO


Parte 1 – Criar, emancipar, denunciar. Não necessariamente nessa ordem.

 

6.out (sáb) – 14h


MINI MISS (PE) – 2018 – Doc – 15 min. Direção: Rachel Daisy Ellis

Quem matou Eloá? (SP) – 2016 – Doc – 24 min. Direção: Lívia Perez

Sweet heart (SP) – 2018 – Fic – 21 min. Direção: Amina Jorge

Latifúndio (RJ) – 2017 – Exp – 11 min. Direção: Érica Sarmet

Estado Itinerante (MG) – 2016 -Fic – 25 min. Direção: Ana Carolina Soares

Trans*lúcidx (PR) – 2014 – Doc – Exp – 10 min. Direção: Miro Spinelli

 


Parte 2 – Criar, emancipar, denunciar. Não necessariamente nessa ordem.

 

7.out  (dom) – 15h


A boneca e o silêncio (SP) – 2015 – Fic – 19 min. Direção: Carol Rodrigues

KBela (RJ) – 2015 – Fic – 21 min. Direção: Yasmin Thayná

Outras (SP) – 2017 – Doc – 22 min. Direção: Ana Julia Travia

Tailor (RJ) – 2017 – Ani – 09 min. Direção: Calí dos Anjos

No Devagar Depressa dos Tempos (SP) – Doc – 25 min. Direção: Eliza Capai

Peripatético (SP) – Fic – 15 min. Direção: Jessica Queiroz


Gênero e Invenção: tornar-se mulher no cinema de curta-metragem contemporâneo

Uma pesquisa divulgada há pouco tempo pela Ancine tomando como base o ano de 2016, apresenta dados tão assustadores como previsíveis. O mercado cinematográfico brasileiro é majoritariamente branco e masculino: Dos 142 longas-metragens lançados no ano, nenhum foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra. Do total de filmes comercializados, 75,4% foram dirigidos por homens brancos, 19,7% por mulheres brancas e 2,1% por homens negros. Homens assinam 85,2% da fotografia dos filmes, mulheres 7,7% e mistos 2,1%. Na direção de arte, homens são 59,2%, mulheres 5,6%. Apesar das mulheres serem 51,5% de população do país segundo o IBGE, elas representam 40% do elenco dos filmes. Essa disparidade também acontece com relação à presença de atores negros – apesar de representarem 54% da população, na tela do cinema são apenas 13,3%.

A mostra é composta por curtas realizados por pessoas que não se identificam como homens.  O escopo de cineastas aqui presentes alarga a definição de “mulher” e passa por uma desconstrução deste conceito. Começamos por uma crítica necessária à noção do feminino estabelecida a partir de narrativas de poder, “onde os homens atuam e as mulheres aparecem” (J.Berger); mas queremos ir além dela, pensando gênero como algo performativo e aberto à criação e agência (Judith Butler). Os filmes aqui reunidos não se conformam com uma definição de mulher estável e estereotipada e dão lugar a emergência de narrativas e subjetividades não previsíveis. Neste caso, não existe apenas uma mulher, existem múltiplas mulheres que não são objeto de contemplação do outro – sacralizadas, disciplinadas, controladas, maternais, fatais, frágeis, férteis ou naturais – mas invenções pautadas por si mesmas.

Os curtas mostrados, cada um a sua maneira, refletem sobre mulheres ausentes na tradição cinematográfica dominante. São narrativas comprometidas com a construção de subjetividades dissidentes dos modelos dados pelo status quo. Escolhi para isso fazer um recorte temporal, concentrando-me na produção realizada a partir de 2013, escolhido como um ano chave na emergência de importantes debates políticos na agenda do país, entre eles os que tangem a condição feminina e as relações de gênero.

A mostra aborda a emergência de personagens fabuladas de uma perspectiva crítica a um modelo opressor que reproduz dinâmicas de poder a partir da oposição feminino-masculino. Diz a clássica frase de Simone de Beauvoir: Não se nasce mulher, torna-se mulher. Pois o foco do nosso olhar está no TORNAR-SE como ato performativo, uma visão de gênero essencializada e na direção de uma proposta que é política em sua abertura criativa.

 

Maíra Bühler

Curadora

17ª MOSTRINHA


3 out (qua) e 4 out (qui) – 9h

Público: alunos das redes públicas municipal e estadual de educação 

7 out (dom) – 10h30

Aberta ao público infantil


O Espírito do Bosque (SP) – 2017 – Fic -15 min. Direção: Carla Saavedra Brychcy

Cor de Pele (PE) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Livia Perini

A câmera de João (GO) – 2017 – Fic – 22 min. Direção: Tothi Cardoso

Adeus (PE) – 2017 – Ani – 11 min. Direção: Marília Feldhues

Iara (MG) – 2018 – Fic – 14 min. Direção: Erika Santos e Cássio Pereira dos Santos

As Bordadeiras do Jardim (SP) – 2017 – Ani – 3 min. Direção: Julia Vellutini


Diálogos intergeracionais

Dois irmãos lidando com uma grande perda, os mistérios que rondam um encontro de uma menina e duas mulheres, um garoto que resgata memórias familiares numa câmera rudimentar são algumas das narrativas desta 17ª Mostrinha, com seis curtas-metragens que tratam de questões diversas, atemporais e atuais, como a morte, o feminino, a memória, o sobrenatural e a identidade, em enredos sem respostas rápidas nem prontas, mas propostos a dimensionar experiências múltiplas para o público infantil.

Para além da diversidade temática, a mostra é também pautada pela variedade de gêneros e linguagens, assim como também ritmos e paisagens, fundamentais para a formação audiovisual das crianças contemporâneas. É possível destacar, no entanto, que boa parte dos filmes selecionados, provenientes de quatro Estados brasileiros (Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco), tangenciam um rico diálogo intergeracional, aproximando olhares do universo infantil e do mundo adulto – de pais/mães e filhos/filhas; avós/avôs e netas/netos.

O adulto, mesmo quando ausente, se faz presente. Mas nunca impondo sua visão de mundo. As perspectivas infantis estão cuidadas nas narrativas, em que as crianças tratam de questões de seus desafios cotidianos, como no documentário Cor de pele (Livia Perini; 2018), tateiam o invisível numa atmosfera silenciosa, tal qual na animação Adeus (Marília Feldhues; 2017), ou expõem a poética própria da infância, a exemplo da ficção A câmera de João (Thoti Cardoso; 2017). E, quando não há a figura da criança, como em As bordadeiras do jardim (Julia Vellutini; 2017), é a força do imaginário próprio da infância que transborda.

Cabe ainda dizer que há, ano a ano, cada vez mais meninas protagonizando as narrativas, assim como em curtas ficcionais como O espírito do bosque (Carla Saavedra Brychcy; 2017) e Iara (Erika Santos e Cássio Pereira dos Santos; 2018), ambos rompendo com a ideia de que o masculino representa a universalização da infância. De qual infância? Tal palavra, que abarca uma construção social, variável conforme o tempo e o lugar, reivindica sua articulação plural. Que o cinema cada vez mais busque o diálogo com as infâncias, todas elas!

 

Gabriela Romeu

Curadora

CURTA MOSTRA CINEMA NOS BAIRROS/CURTA MOSTRA ITINERANTE


Dourado (MG) – 2017 – Fic – 08 min. Direção: Bernardo Teixeira

Iara (MG) – 2018 – Fic – 14 min. Direção: Erika Santos e Cássio Pereira dos Santos

O Espírito do Bosque (SP) – Fic -2017 – 15 min. Direção: Carla Saavedra Brychcy

As Bordadeiras do Jardim (SP) – 2017 – Ani – 03 min. Direção: Julia Vellutini

O Malabarista (GO) – Ani – 2018 – 11 min. Direção: Iuri Moreno

Vazante (PR) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: Fábio Allon

A retirada para um coração bruto (MG) – 2017 – Fic – 14 min. Direção: Marco Antônio Pereira

Nova Iorque (PE) – 2018 – Fic – 24 min. Direção: Leo Tabosa


Cinema em movimento

Cinema é, em sua essência, movimento. E é por meio da Curta Mostra Cinema nos Bairros que a Goiânia Mostra Curtas se move, anda, corre e vai até o seu público. Um passeio pelas ruas da capital goiana que representa muito mais do que uma apresentação cinematográfica, mas uma ferramenta de acessibilidade e representatividade. Uma ode ao que a sétima arte representa: vida. O acesso restrito ao cinema brasileiro ou às salas de cinema tradicionais é substituído, mesmo que momentaneamente, pela grandiosidade de uma grande tela em plena praça. Diante dela, famílias inteiras e pessoas de todas as idades têm a possibilidade do emocionante contato, muitas vezes o primeiro, com um filme. O festival, que chega agora a sua maioridade, já percorreu mais de 50 bairros de Goiânia, que puderam se encantar com diferentes filmes. Neste ano, as produções trazem a interação com a natureza em cenários como o campo e o sertão ganham novas cores, assim como a própria cidade, o cotidiano, a infância e a dor do luto. De forma geral, os filmes curados para esta edição convidam espectadores muito especiais a se apaixonarem irreversivelmente pelo cinema.

 

Maria Abdalla

Curadora

 


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