Debate aborda representação do amor e do desejo no cinema


 

Nesta 19ª edição do festival Goiânia Mostra Curtas, o debate, realizado durante a Mostra Especial – O Amor e Suas Formas, trouxe como tema dois questionamentos: “Como representar o desejo? Como representar o amor?”. Mediado pelos curadores Marcus Mello e Lila Foster, participaram a cineasta Amina Jorge; o curador e cineasta, Eduardo Valente; e o cineasta Fábio Leal.

O debate, realizado no palco do Teatro Goiânia no sábado, 12, trouxe à tona questionamentos sobre as diferentes possibilidades de representação do desejo e do amor no cinema, os limites éticos nessa representação, as especificidades de gênero, a oposição entre erotismo e pornografia, os desafios que a direção enfrenta para filmar uma cena de sexo e o apelo popular de gêneros como a comédia romântica e a pornochanchada.

Eduardo Valente levantou a questão do que não está na tela, pensando no objetivo e a subjetividade de quem está produzindo. “Nós, como plateia, precisamos acreditar na existência dessas abstrações na tela de alguma maneira, seja amor, seja desejo”, argumentou.

“É sempre desafiador falar de amor e de desejo, de amor e sexo, ainda mais em tempos difíceis, que estamos voltando a ter processos de censura, de moralização de uma sociedade”, ponderou Amina Jorge. Para a cineasta, debater este tema é importante para entender não só o quanto é complexo, mas necessário de ser realizado de forma aberta e ampla.

A mediadora Lila Foster ressaltou que os dois programas da Mostra Especial – O Amor e Suas Formas trazem uma espécie de perspectiva histórica do amor no cinema, tentando também pensar o processo contemporâneo.

“A gente está em um momento muito rico para romper uma série de estereótipos, romper uma série de imagens do amor que aparece de forma muito normativa”, avaliou. Para ela, este é um desafio permanente de invenção e reinvenção, e lembrou que o momento atual é muito rico para pensar todos esses processos.

Mostra Especial – O Amor e Suas Formas

Este ano a Mostra, que não é competitiva, reúne 14 títulos em dois programas: Amar & Pertencer e Amar & Arder, e outros em homenagens a mulheres relevantes, totalizando 17 filmes produzidos em diferentes épocas e Estados do País, que marcaram diversos períodos do cinema brasileiro. As cineastas Helena Ignez e Olga Futemma são as homenageadas desta edição.