Festivais de cinema como principais janelas para curtas-metragens é tema de painel


 

Discutir a importância dos curtas-metragens e do maior e mais relevante meio de exibição deles: os festivais de cinema. O último painel da 19ª Goiânia Mostra Curtas abriu espaço para um bate-papo entre profissionais, com abertura para perguntas do público, sobre os desafios desse formato de produção audiovisual.

Na mesa, estavam a professora e pesquisadora, Ana Paula Ladeira; a diretora da Associação dos Produtores Independentes (API), Cíntia Domit Bittar; o cineasta e pesquisador, Bertrand Lira; e o curador e programador, Marcos Mello. A mediação, como no primeiro painel do festival, foi do produtor Ivan Melo.

A primeira a falar foi Ana Paula Ladeira, que pontuou as dificuldades dos curtas-metragens de entrarem nas salas comerciais e, por isso, a importância de manter a realização dos festivais. “Isso promove acesso ao público, gera novos hábitos de consumo cultural”, afirmou acrescentando que este é um espaço também de geração de emprego e renda, o que aquece a economia.

Para ela, o momento é de lutar pelos festivais, que vivenciam um atual cenário de incertezas, e buscar novas formas de construir esses espaços que também formam profissionais, possibilitam experimentação e entrada de novos realizadores no mercado.

Cíntia Domit Bittar também destacou esse fator, que é a formação de público, da relevância dos curtas para a democratização, pontuando que eles não acontecem somente nos grandes centros. Nesse sentindo, citou ainda olhar para o público infantil, como na Goiânia Mostra Curtas, que apresenta a categoria Mostrinha, com temas divertidos e educativos.

Segundo o cineasta Bertrand Lira, as produções precisam estar não somente nos grandes, mas também nos pequenos festivais realizados Brasil a fora. “Se é mais difícil entrar em um grande festival, por que não tentar outros menores?”, questionou. Para ele, o importante é fazer com que os curtas cheguem aos diversos públicos.

Como programador, Marcos Mello destacou que é preciso, sim, olhar para o futuro das produções, mas sem se esquecer do passado, da preservação do acervo cinematográfico já existente: “Com o avanço digital, se a gente não se atentar para isso, vamos ter um apagão da memória cinematográfica”.

Segundo ele, existem curtas, produzidos há 10 anos, que se perderam e não podem ser mais vistos pelo público. “É necessário preocuparmos com a difusão, distribuição e também com a preservação”, disse.