Curta Mostra Especial


O Amor e suas Formas

Em Fragmentos de um Discurso Amoroso, Roland Barthes passeia por referências da literatura, da psicanálise, da filosofia e de sua própria experiência amorosa para tecer uma semiologia da angústia afetiva, da vida interna do sujeito apaixonado, do desejo pelo corpo do outro, da necessidade do encontro. A sua coleção de textos e evocações de imagens busca organizar um conjunto de sentimentos e de uma mobilização, para o sujeito apaixonado, extremamente perturbadora e caótica. Centrado no ideal romântico do amor, a imagem que provém da leitura desses fragmentos é de um arrebatamento, de uma necessidade absoluta do sujeito amado. Neste sentido, o cinema talvez tenha sido um dos maiores agentes na construção e na representação desse ideal que alia comunhão, desejo carnal e sofrimento.

Mas o que pode o amor para além desse ideal romântico? E, afinal, o amor pode ser percebido além desse ideal? Em tempos de enorme fissura, caracterizados pela incapacidade de diálogo e de entendimento, além de uma guinada conservadora que inclui assustadores retrocessos comportamentais, o tema central da mostra especial da 19ª Goiânia Mostra Curtas é Amor e suas Formas. Para tentar dar conta dessas questões, os curadores propuseram dois programas de curtas, reunindo 14 títulos produzidos em diferentes épocas e estados do país. O primeiro programa, Amar & Pertencer, celebra o afeto, a cumplicidade, a beleza da relação com o outro, sem se restringir ao amor romântico. Já o segundo, Amar & Arder, destaca a potência libertadora do sexo como elemento vital e criativo, capaz de superar barreiras de gênero, de classe ou até mesmo físicas.

Adotando uma perspectiva histórica, a proposta foi de investir em filmes de arquivo e perspectivas estéticas que marcaram diferentes períodos do cinema brasileiro. Quais são as imagens do amor e do sexo em jogo nesse conjunto de filmes? O que cada tempo histórico nos diz sobre a expressão da libido e a representação dos corpos? Em conexão com as duas homenageadas desta 19ª Goiânia Mostra Curtas, Helena Ignez e Olga Futemma, os dois programas também buscam ressaltar a importância de pensarmos a história do cinema brasileiro e a sua preservação. Amar os filmes, amar os encontros e amar a trajetória daqueles que seguem firmes na produção, difusão e preservação do nosso cinema.

Curadoria
Lila Foster – curadora e pesquisadora
Marcus Mello – programador, curador e pesquisador

 

Programação
O conjunto de filmes apresentados nessa mostra é dividido em duas partes. O programa Amar & Pertencer busca na história do cinema brasileiro filmes que encenam gestos de comunhão e laços amorosos construídos para além do amor romântico. Já o programa Amar & Arder reúne títulos que representam o sentimento amoroso em suas formas mais urgentes e arrebatadas, e muitas vezes menos convencionais, nos quais o sexo ocupa um papel central.

 

Homenagens
8.out (ter) – 20h – Cerimônia de Abertura

 

Homenagem Helena Ignez

O Pátio (BA) – 1959 – Exp – 17 min. Direção: Glauber Rocha [Livre]
Extratos (SP – RJ) – 2019 – Doc – 7 min. Direção: Sinai Sganzerla [Livre]
Ossos (CE) – 2014 – Exp – 19 min. Direção: Helena Ignez [14 anos]

A principal atriz do cinema moderno brasileiro, protagonista de obras icônicas como O Padre e a Moça, O Bandido da Luz Vermelha, A Mulher de Todos e Copacabana mon Amour, Helena Ignez é homenageada pela 19ª Goiânia Mostra Curtas. Este reconhecimento coincide com duas datas muito significativas na trajetória de Helena: a comemoração de seus 80 anos de vida e os 60 anos de sua estreia nas telas, com o curta O Pátio (1959), de Glauber Rocha. Uma homenagem que celebra não apenas a longa carreira de uma intérprete extraordinária, mas também a produção autoral de uma artista em permanente processo de reinvenção e que, já madura, após a morte de seu parceiro de vida e criação, Rogério Sganzerla, lançou-se à direção a partir de 2005, assinando alguns dos filmes mais originais do cinema brasileiro contemporâneo, de Canção de Baal (2007), seu primeiro longa, ao recente A Moça do Calendário (2017).

13.out (dom) – 20h – Cerimônia de Encerramento

 

Homenagem Olga Futemma

Retratos de Hideko (SP) – 1981 – Fic. 10 min. Direção: Olga Futemma [Livre]

Com uma longa trajetória dedicada ao trabalho como pesquisadora, arquivista e gestora cultural junto à Cinemateca Brasileira, a homenagem a Olga Futemma pretende celebrar o seu percurso na preservação do cinema brasileiro e o seu trabalho como cineasta. Com os seus seis curtas-metragens, dirigidos entre 1972 e 1989, Olga Futemma imprimiu uma estética de cunho poético e pessoal, ao mesmo tempo que não deixou de ter como perspectiva a herança cultural e as discussões em torno das questões feministas de seu tempo. Uma produção importante em um momento em que se torna fundamental pensarmos na forma como as mulheres, com todas as suas semelhanças e diferenças, se expressaram através do cinema.

 

Programa 1 – Amar & Pertencer
12.out (sáb) – 14h

Reminiscências (MG) – 1909 – 1926 – Doc – 13 min. Direção: Aristides Junqueira [Livre]
Extratos (SP – RJ) – 2019 – Doc – 7 min. Direção: Sinai Sganzerla [Livre]
Chá verde e arroz (SP) – 1989 – Fic – 12 min. Direção: Olga Futemma [Livre]
Da Janela do Meu Quarto (MG) – 2004 – Doc – 5 min. Direção: Cao Guimarães [Livre]
Pouco Mais de um Mês (MG) – 2012 – Fic – 23 min. Direção: André Novais Oliveira [Livre]
Travessia (RJ) – 2017 – Doc – 5 min. Direção: Safira Moreira [Livre]
Um Sol Alaranjado (RJ) – 2001 – Fic – 17 min. Direção: Eduardo Valente [Livre]
Sweet Karolynne (PB) – 2009 – Doc – 15 min. Direção: Ana Bárbara Ramos [Livre]

 

Debate: Como representar o desejo? Como representar o amor? – 16h

O debate reúne três profissionais que irão refletir sobre as diferentes possibilidades de representação do desejo e do amor no cinema. Existem limites éticos nessa representação? Como abordar as especificidades de gênero? A oposição entre erotismo e pornografia ainda faz sentido? Quais os desafios que a direção enfrenta para filmar uma cena de sexo? O cinema brasileiro está mais pudico em relação ao tema? Onde reside o apelo popular de gêneros como a comédia romântica e a pornochanchada? Estas são algumas questões a serem discutidas entre os participantes da mesa e o público.

Debatedores
Amina Jorge – cineasta e produtora
Eduardo Valente – curador e cineasta
Fábio Leal – cineasta

Mediadores
 Lila Foster (curadora e pesquisadora) e Marcus Mello (programador, curador e pesquisador).

 

Programa 2 – Amar & Arder
13 out (dom) – 15h

Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE) – 2007 – Fic – 15 min. Direção: Kleber Mendonça Filho [Livre]
Vereda Tropical (RJ) – 1977 – Fic – 24 min. Direção: Joaquim Pedro de Andrade [16 anos]
Almas em Chamas (SP) – 2000 – Ani – 11 min. Direção: Arnaldo Galvão [18 anos]
Messalina (RS) – 2004 – Fic – 14 min. Direção: Cristiane Oliveira [12 anos]
O Porteiro do Dia (PE) – 2016 – Fic – 25 min. Direção: Fábio Leal [18 anos]
Latifúndio (RJ) – 2017 – Exp. 12 min. Direção: Érica Sarmet [18 anos]


Local:

Teatro Goiânia: Avenida Tocantins com Avenida Anhanguera, Qd. 67 Lt. 32 Setor Central)


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