Curta Mostra Brasil



9.out (qua) – 19h

Aulas que matei (DF) 2018 – Fic – 23 min. Direção: Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia
Baile (SC) 2019 – Fic – 18 min. Direção: Cíntia Domit Bittar
Planeta Fábrica (SP) – 2019 – Doc – 11 min. Direção: Julia Zakia
A felicidade delas (SP) – 2019 – Fic – 14 min. Direção: Carol Rodrigues
Marie (PE) – 2019 – Fic – 25 min. Direção: Leo Tabosa

Intervalo – 15 min

Livro e meio (SP)– 2019 – Ani – 12 min. Direção: Giu Nishiyama, Pedro Nishiyama
Licença Poética (SC) – 2019 – Doc – 12 min. Direção: Ilaine Melo
Um ensaio sobre a ausência (BA) – 2018 – Doc – 15 min. Direção: David Aynan
A Ética das Hienas (PB) – 2019 – Fic – 20 min. Direção: Rodolpho De Barros



10.out (qui) – 19h

Além dos Muros (GO) – 2019 – Doc – 17 min. Direção: Robney Bruno Almeida
Angela (MG) – 2019 – Fic – 15 min. Direção: Marília Nogueira
A Era De Lareokotô (PE) – 2019 – Doc – 20 min. Direção: Rita Carelli
Primeiro ato (SP) – 2018 – Fic – 19 min. Direção: Matheus Parizi
Umas & Outras (RJ) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: Samuel Lobo

Intervalo – 15 min

Preciso Dizer que Te Amo (SP) – 2018 – Doc – 13 min. Direção: Ariel Nobre
Perpétuo (RJ) – 2018 – Fic – 24 min. Direção: Lorran Dias
Antes de Ontem (SP) – 2019 – Doc – 7 min. Direção: Caio Franco
Besta-Fera (AL) – 2018 – Fic – 22 min. Direção: Wagno Godez



11.out (sex) – 19h

A mulher que sou (PR) – 2019 – Fic – 15 min. Direção: Nathália Tereza
Tempestade (PE) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: Fellipe Fernandes
Guará (GO) – 2019 – Fic – 20min. Direção: Fabrício Cordeiro e Luciano Evangelista
Ressurreição (RS) – 2019 – Ani – 04 min. Direção: Otto Guerra
Invasão Espacial (DF) – 2019 – Doc – 14 min. Direção: Thiago Foresti
Alma Bandida (MG) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Marco Antonio Pereira

Intervalo – 15 min

Obeso Mórbido (AM) – 2018 – Doc – 14 min. Direção: Diego Bauer & Ricardo Manjaro
Peixe (MG) – 2019 – Fic – 17 min. Direção: Yasmin Guimarães
O Bando Sagrado (CE) – 2019 – Fic – 20 min. Direção: Breno Baptista
Looping (MG) – 2019 – Fic – 12 min. Direção: Maick Hannder
Aquele Casal (PR) – 2018 – Fic – 20 min. Direção: William de Oliveira


12.out (sáb) – 19h

NEGRUM3 (SP) – 2018 – Doc – 22 min. Direção: Diego Paulino
Quebramar (SP) – 2019 – Doc – 25 min. Direção: Cris Lyra
Liberdade (SP) – 2018 – Fic – 25 min. Direção: Pedro Nishi e Vinícius Silva
Plano Controle (MG) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Juliana Antunes
Mesmo com Tanta Agonia (SP) – 2018 – Fic – 19 min. Direção: Alice Andrade Drummond

Intervalo – 15 min

Crua (PB) – 2019 – Fic – 20 min. Direção: Diego Lima
Cartuchos de Super Nintendo em Anéis de Saturno (CE) – 2018 – Exp – 19 min. Direção: Leon Reis
Vigia (RJ) – 2018 – Fic – 23 min. Direção: João Victor Borges
Verde Limão (RN) – 2018 – Fic – 18 min. Direção: Henrique Arruda

Teatro Goiânia

 

Chegamos a mais uma edição da Curta Mostra Brasil contentes por entender que o cinema brasileiro e a produção audiovisual contemporânea refletem as angústias, dilemas, cores e esperanças da nossa sociedade atual. Entendemos, portanto, que aqui se cumpre uma de suas inúmeras missões enquanto forma de arte: é luz e é espelho, abre possibilidades de pensamento e alimenta reflexões. 

Ao longo de um delicado e curioso processo de curadoria, chegamos a uma mostra que literalmente nos faz enxergar a pluralidade brasileira e como estamos nos vendo em meio a tantas efemeridades. A Curta Mostra Brasil sempre terá como foco exibir, por meio de curtas-metragens, quão grandiosos somos enquanto nação brasileira, justamente por sermos diferentes, falarmos diversos sotaques, termos tanta história e tanta cultura. Assim, temos quatro dias recheados de obras produzidas em todo território nacional. Selecionamos 10 filmes da Região Nordeste; 18 do Sudeste; 5 da Região Sul; 1 da Região Norte; e por fim, 4 do Centro-Oeste. 

Com as devidas atenções voltadas ao Brasil nesse delicado momento de incertezas que vivemos, selecionamos obras que expõem a tão atual precarização do trabalho, como em A ética das hienas, Alma Bandida, Mesmo com tanta agonia, Peixe, Planeta Fábrica, Tempestade e Vigia. Sob a mesma ótica, não poderíamos deixar de abordar também filmes que elucidam a necessidade de demarcar e respeitar as nossas diversas identidades culturais e territoriais, como nos curtas A era de Lareokotô, Invasão Espacial, Liberdade e Um Ensaio Sobre Ausência. 

Complementam a programação da Mostra, seguindo o mesmo norte de urgência na discussão de temas contemporâneos, exibiremos os curtas A mulher que sou, Antes de Ontem, Aquele Casal, Cartuchos de Super Nintendo em Anéis de Saturno, Crua, Looping, Marie, NEGRUM3, O Bando Sagrado, Obeso Mórbido, Preciso Dizer que Te Amo, QUEBRAMAR, Verde Limão e Vigia. Aqui, o foco são as questões de gênero, identidade e raça, constituições sociais que juntas, sabemos, respaldam urgentes questões, dramas e violências da nossa sociedade atual. 

A militância e o ativismo político dão tom também à Mostra, com os curtas A felicidade delas, Além dos Muros e Primeiro ato. Assim, reforçamos a importância vital da cultura, no caso, do cinema que chega à população por meio de um festival audiovisual, na formação de público e na construção de uma sociedade mais crítica, atenta e consciente de seus direitos e deveres. 

 

Maria Abdalla
Curadora

 

Curta Mostra Goiás



9.out (qua) – 15h

O Cinema Que Não Se Vê (GO) – 2018 – Doc – 8 min. Direção: Erik Ely
Cris, Das Onze às Quatro (GO) – 2019 – Fic – 15 min. Direção: Yolanda Margarida
A Viagem de Ícaro (GO) – 2018 – Doc – 19 min. Direção: Kaco Olimpio e Larissa Fernandes
31 de março, Brazil (GO) – 2019 – Ani- 5 min. Direção: Emerson Rodrigues
Rio das Almas e Negras Memórias (GO) – 2019 – Fic – 22 min. Direção: Taize Inácia e Thaynara Rezende
Ela Só Quer Ser Maria (GO) – 2018 – Fic – 11 min. Direção: Victor Vinícius

10.out (qui) – 15h

Julho (GO) – 2019 – Fic – 17 min. Direção: Danilo Daher e Daniel Calil
Apartamento Vazio (GO) – 2019 – Fic – 16 min. Direção: Paulo Morais e Pedro Hagaferr
A Bicicleta (GO) – 2019 – Fic – 12 min. Direção: Milena Ribeiro
Morte Insossa (GO) – 2018 – Fic – 7 min. Direção: Bruno Mendes
O Jardim das Pedras (GO) – 2019 – Fic – 24 min. Direção: Absair Weston

Teatro Goiânia

 

Quase 100 curtas goianos foram inscritos nesta edição da Goiânia Mostra Curtas, o que comprova um ambiente vivo, variado e extremamente pulsante. Chegar a uma seleção para compor os dois programas da Curta Mostra Goiás (além dos filmes goianos presentes na Mostra Brasil) não foi tarefa simples, pois a larga quantidade de inscritos nos apresentavam amplas possibilidades, e com isso vários trabalhos de óbvia qualidade não puderam ser contemplados. 

A escolha, então, pautou-se em exibir filmes que mostrassem o máximo possível de aproximações distintas, da ficção ao documentário, passando pela animação e pelos filmes mais ensaísticos, como forma fiel à variedade produtiva que pudemos assistir. Por outro lado, por sua presença numerosa entre os inscritos, pareceu importante dar espaço e atenção a alguns recorrentes modelos que caracterizam em especial essa produção, como é o caso dos filmes de inspiração fantástica em franco diálogo com os códigos do cinema de gênero; filmes que demandam uma visibilidade e presença em tela (e por detrás das câmeras) para plurais representações de gênero, etnias e raças; e para filmes que exploram as contradições e dureza da vida urbana em Goiânia, retratando em particular uma juventude bastante desencantada com as suas (falta de) perspectivas. 

Temos certeza que quem assistir aos 11 curtas exibidos nas duas sessões poderá testemunhar uma cena cinematográfica madura que, esperamos, possa sobreviver aos tempos turbulentos que o audiovisual brasileiro enfrenta. Ficou claro, na visão do todo dos inscritos, os papéis centrais tanto de uma lei de incentivo local como dos cursos universitários na explosão dos números de inscritos e, acima de tudo, na sua qualidade média de produção e reflexão sobre os trabalhos. 

Seria uma pena não vermos esse espaço consolidado, no sentido de permitir evoluir uma capacidade local tão óbvia de representar e refletir sobre as questões, históricas e contemporâneas, desse estado tão rico em imaginário quanto contrastado na sua realidade. 

 

Eduardo Valente
Curador

Curta Mostra Animação



11.out (sex) – 15h

Gravidade(SP) – 2018 – Ani – 11 min. Direção: Amir Admoni
Céu da Boca (RS) – 2019 – Ani – 7 min. Direção: Amanda Treze

Livro e meio(SP)
– 2019 – Ani – 12 min. Direção: Giu Nishiyama, Pedro Nishiyama
Só sei que foi assim(RS) – 2018 – Ani – 7 min. Direção: Giovanna Muzel
Venha (SP) – 2018 – Ani – 5 min. Direção: Pêu Ribeiro
CorkScream (RJ) – 2018 – Ani – 2 min. Direção: Felipe Barreto
Poética de Barro(MG) – 2019 – Ani – 6 min. Direção: Giuliana Danza
Maria Grampinho(GO) – 2019 – Ani – 6 min. Direção: Flávio Gomes
Oração à Terra – Prayer to the Earth (SP) – 2019 – Ani – 4 min. Direção: Cleiton Cafeu
Isso é o Mundo Cão(SP)– 2019 – Ani – 5 min. Direção: Rodrigo EBA!
Raskolnikov(SP) – 2018 –Ani – 1 min. Direção: Moisés Pantolfi
Interrogação (ou Psicopata Legalizado)(SP) – 2019 – Ani – 1 min. Direção: Moisés Pantolfi
O Evangelho Segundo Tauba e Primal (GO) – 2018 – Ani – 12 min. Direção: Márcia Deretti e Márcio Júnior
The URSAL Nightmares(MG) – 2019 – Ani – 3 min. Direção: Guilherme Teresani
Metanoia (PR) – 2018 – Ani – 4 min. Direção: Rayane Taguti, Giovana Bianconi, Rafaela Panchorra e Tiago Felipe
31 de março, Brazil (GO) – 2019 – Ani – 5 min. Direção: Emerson Rodrigues
Estranho Animal(DF) – 2019 – Ani – 5 min. Direção: Arthur B. Senra
Ressurreição(RS) – 2019 – Ani – 04 min. Direção: Otto Guerra

Teatro Goiânia

 

 

Animação em Ciclo

Em 2019, 18 filmes de seis Estados brasileiros e do Distrito Federal compõem a sessão de animação da 19ª Goiânia Mostra Curtas. A Animação, sempre tão laboriosa em sua realização, pede urgência, tem pressa e se posiciona. Alguns são explícitos no ato, outros carregam sentimentos individuais que se tornam coletivos. O humor, tão comum ao “clássico desenho animado”, dá espaço à maturidade que a animação brasileira vem traçando nesta última década: fala de política, faz protesto, reflete e por vezes silencia. 

Ordenar essa pluralidade de temas em uma única sessão torna-se um desafio para o diálogo entre as obras e para o sentimento que se cria após 100 minutos de animação pulsante. A mostra começa com uma sequência de filmes que olham para si almejando falar para o mundo, passando pelo exercício estético e experimental da criação dos frames e desembocando na realidade de um país que deixa perplexo cada indivíduo. 

Fechamos com “Ressurreição”, de Otto Guerra, onde, por alguns instantes, existe esperança. Mas começamos com “Gravidade”, de Amir Admoni, com a inesquecível canção interpretada por Vera Lynn. “Nos encontraremos novamente. Não sei aonde. Não sei quando. Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado…Até que o céu azul afaste as nuvens escuras para longe”. 

 

Cesar Cabral
Curador

Curta Mostra Especial – O amor e suas formas



8.out (ter) – 20h – Cerimônia de Abertura

Homenagem Helena Ignez
O Pátio (BA) – 1959 – Exp – 17 min. Direção: Glauber Rocha [Livre]
Extratos (SP – RJ) – 2019 – Doc – 7 min. Direção: Sinai Sganzerla [Livre]
Ossos (CE) – 2014 – Exp – 19 min. Direção: Helena Ignez [14 anos]

12.out (sab) – 14h

Programa 1 – Amar & Pertencer
Reminiscências (MG) – 1909 – 1926 – Doc – 13 min. Direção: Aristides Junqueira [Livre]
Extratos (SP – RJ) – 2019 – Doc – 7 min. Direção: Sinai Sganzerla [Livre]
Chá verde e arroz (SP) – 1989 – Fic – 12 min. Direção: Olga Futemma [Livre]
Da Janela do Meu Quarto (MG) – 2004 – Doc – 5 min. Direção: Cao Guimarães [Livre]
Pouco Mais de um Mês (MG) – 2012 – Fic – 23 min. Direção: André Novais Oliveira [Livre]
Travessia (RJ) – 2017 – Doc – 5 min. Direção: Safira Moreira [Livre]
Um Sol Alaranjado (RJ) – 2001 – Fic – 17 min. Direção: Eduardo Valente [Livre]
Sweet Karolynne (PB) – 2009 – Doc – 15 min. Direção: Ana Bárbara Ramos [Livre]

13.out (dom) – 15h

Programa 2 – Amar & Arder
Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE) – 2007 – Fic – 15 min. Direção: Kleber Mendonça Filho [Livre]
Vereda Tropical (RJ) – 1977 – Fic – 24 min. Direção: Joaquim Pedro de Andrade [16 anos]
Almas em Chamas (SP) – 2000 – Ani – 11 min. Direção: Arnaldo Galvão [18 anos]
Messalina (RS) – 2004 – Fic – 14 min. Direção: Cristiane Oliveira [12 anos]
O Porteiro do Dia (PE) – 2016 – Fic – 25 min. Direção: Fábio Leal [18 anos]
Latifúndio (RJ) – 2017 – Exp. 12 min. Direção: Érica Sarmet [18 anos]

13.out (dom) 20h – Cerimônia de Encerramento

Homenagem Olga Futemma
Retratos de Hideko (SP) – 1981 – Fic. 10 min. Direção: Olga Futemma [Livre]

 

O Amor e suas Formas

Em Fragmentos de um Discurso Amoroso, Roland Barthes passeia por referências da literatura, da psicanálise, da filosofia e de sua própria experiência amorosa para tecer uma semiologia da angústia afetiva, da vida interna do sujeito apaixonado, do desejo pelo corpo do outro, da necessidade do encontro. A sua coleção de textos e evocações de imagens busca organizar um conjunto de sentimentos e de uma mobilização, para o sujeito apaixonado, extremamente perturbadora e caótica. Centrado no ideal romântico do amor, a imagem que provém da leitura desses fragmentos é de um arrebatamento, de uma necessidade absoluta do sujeito amado. Neste sentido, o cinema talvez tenha sido um dos maiores agentes na construção e na representação desse ideal que alia comunhão, desejo carnal e sofrimento.

Mas o que pode o amor para além desse ideal romântico? E, afinal, o amor pode ser percebido além desse ideal? Em tempos de enorme fissura, caracterizados pela incapacidade de diálogo e de entendimento, além de uma guinada conservadora que inclui assustadores retrocessos comportamentais, o tema central da mostra especial da 19ª Goiânia Mostra Curtas é Amor e suas Formas. Para tentar dar conta dessas questões, os curadores propuseram dois programas de curtas, reunindo 14 títulos produzidos em diferentes épocas e estados do país. O primeiro programa, Amar & Pertencer, celebra o afeto, a cumplicidade, a beleza da relação com o outro, sem se restringir ao amor romântico. Já o segundo, Amar & Arder, destaca a potência libertadora do sexo como elemento vital e criativo, capaz de superar barreiras de gênero, de classe ou até mesmo físicas.

Adotando uma perspectiva histórica, a proposta foi de investir em filmes de arquivo e perspectivas estéticas que marcaram diferentes períodos do cinema brasileiro. Quais são as imagens do amor e do sexo em jogo nesse conjunto de filmes? O que cada tempo histórico nos diz sobre a expressão da libido e a representação dos corpos? Em conexão com as duas homenageadas deste 19ª Goiânia Mostra Curtas, Helena Ignez e Olga Futemma, os dois programas também buscam ressaltar a importância de pensarmos a história do cinema brasileiro e a sua preservação. Amar os filmes, amar os encontros e amar a trajetória daqueles que seguem firmes na produção, difusão e preservação do nosso cinema.

Lila Foster e Marcus Mello
Curadores

18ª Mostrinha



10.out (qui) e 11.out (sex) – 9h
13.out (dom) – 10h30

Guri (ES) – 2019 – Fic – 13 min. Direção: Adriano Monteiro
O Véu de Amaní (DF) – 2019 – Fic – 14 min. Direção: Renata Diniz
Baile (SC) – 2019 – Fic – 18 min. Direção: Cíntia Domit Bittar
Bicho do Mato (PR) – 2018 – Fic – 15 min. Direção: Juliana Sanson
Lily’s Hair (GO) – 2019 – Fic – 15 min. Direção: Raphael Gustavo da Silva
Vivi Lobo e o Quarto Mágico (PR) – 2019 – Ani – 13 min. Direção: Isabelle Santos e Edu MZ Camargo

Teatro Goiânia

 

O mundo da infância, claro, não existe nem resiste alheio ao universo adulto – para o bem e para o mal. E é reconfortante conferir o impacto positivo das políticas afirmativas dos últimos anos nas recentes produções audiovisuais infantis e juvenis. Questões em pauta como representação e representatividade, antirracismo, protagonismo feminino e resistência, ganham crescente destaque em narrativas onde crianças negras são heroínas, meninas têm vez e voz e diferentes realidades infantis são retratadas na telona.

Resiliência, no entanto, talvez seja a maior expressão das narrativas selecionadas para esta 18ª Mostrinha. A capacidade que as crianças têm em superar momentos adversos, de pura aridez, permeia muitas das acontecências acerca de diferentes infâncias, para além da ideia equivocada de referências únicas e dadas como universais. Há, sobretudo, muitas histórias protagonizadas por meninas, rompendo com uma crença de que elas costumam apreciar histórias lideradas por meninos, mas não ocorrendo o mesmo com o inverso.

São os dilemas do mundo real contemporâneo (e não aqueles da fantasia) que movem os enredos dos curtas-metragens de quatro Estados e do Distrito Federal: as questões interculturais entre uma menina paquistanesa e muçulmana e sua amiga brasileira e católica (O Véu de Amani), o sentimento de desencaixe de uma garota interiorana numa escola da zona urbana (Bicho do Mato), a invisibilidade do feminino (Baile), as descobertas das próprias potências e origens (Vivi Lobo e o Quarto Mágico; a animação que finaliza a seleção).

O amplo debate das questões identitárias das crianças negras também disseminou diversas produções que abordam seus desafios cotidianos. Em Guri, fica evidente o racismo estrutural que atravessa a vida das crianças no ambiente escolar, onde os alunos estão às voltas com um concorrido campeonato de bolinha de gude. Já no bem-humorado Lily’s Hair, uma protagonista cheia de jogo de cena sabe o poder que tem e quer reafirmar suas origens. 

Que essas narrativas espelhem a força das infâncias. Boa sessão! 

 

Gabriela Romeu
Curadora


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