O Grivo

Coletivo formado em 1990 por Marcos Moreira e Nelson Soares, que notabilizou-se, num primeiro momento, pelas produções musicais realizadas para outros artistas, como Cao Guimarães, Lucas Bambozzi, Rivane Neuenschwander e Valeska Soares, entre outros. O grande apelo visual de suas instalações, contudo, fez com que a dupla passasse a ser reconhecida pela qualidade plástica – e não apenas sonora – de suas criações, a partir da participação na exposição Antarctica Artes com a Folha, de 1996.
Com engenhocas bem-humoradas e aparentemente precárias, de onde brota a harmoniosa combinação de sons e ruídos que constitui sua marca registrada, O Grivo pertence ao seleto grupo de artistas sonoro-visuais brasileiros, como o coletivo carioca Chelpa Ferro e o paulistano Paulo Nenflidio, cujas obras são comparáveis tanto do ponto de vista estético quanto pela característica de transformar os objetos mais impensáveis em instrumentos musicais. Diferentemente desses, porém, e devido talvez à formação musical de seus dois integrantes, as obras d’O Grivo priorizam a sonoridade: o efeito visual está longe de ser casual, mas a imagem é uma consequência da funcionalidade sonora e musical.