23 A 28 DE NOVEMBRO - 2021

GOIÂNIA - GOIÁS - BRASIL

GRATUITO - ONLINE

Curta Mostra Especial


Tema: Nós somos a guerra

A partir de 25 de novembro (quinta-feira), 15h

Até 28 de novembro (domingo)

InnSaei.tv

Curadora: Kênia Freitas


Pesquisadora e crítica de cinema


A Curta Mostra Especial de 2021, “Nós somos a guerra”, conspira com um conjunto de filmes que olham para as desigualdades profundas e históricas que constituem o território invadido por Portugal e posteriormente chamado Brasil por uma perspectiva do confronto e da revolta popular. Muitos desses filmes assumem como ponto de partida a guerra declarada pelas elites e pelo Estado brasileiro contra a população – especialmente contra as pessoas indígenas, negras, pobres, trans e travestis. Nesses filmes, o cinema torna-se vetor do afronte, de luta, da raiva e de insurreições com e pelas imagens e sons.

A mostra é formada por 12 curta-metragens brasileiros feitos entre 1968 e 2021 (com um enfoque maior na produção contemporânea) produzidos em diversas regiões (AM, CE, DF, GO, MG, MS, PE, RJ e SP) e abordando realidades étnicas, sociais, e culturais de enfrentamento face às opressões. Os filmes estão divididos em dois programas: “Dissonâncias e Ecos Subterrâneos” e “Corpos em Transe e em Colisões”. O primeiro programa concentra narrativas especulativas e delirantes, que ora sussurram e ora gritam as táticas de resistência e contra-ataque utilizadas frente à distopia brasileira. No segundo, os corpos e corpas são colocados na linha de frente das lutas – em performance e/ou protestos, o corpo se choca, explode, perturba e confronta.

No Brasil de 2021, assolado por crises sanitárias, políticas e econômicas que ampliam o projeto colonial genocida em curso há cinco séculos, a aliança com esses filmes convida ao questionamento do que podemos entender como “nós” e o que podemos entender como “guerra”. Um gesto marcado pelo desejo de pensar radicalidades e não conciliações dentro e fora dos cinemas.

 

FILMES

 

PROGRAMA 1: Dissonâncias e Ecos Subterrâneos

O programa percorre narrativas fílmicas que especulam e deliram, que sussurram e gritam as táticas de resistência e contra-ataque utilizadas frente à distopia brasileira. Passado, futuro e presente se misturam nesse estado de guerra permanente que os filmes anunciam. Mensagens de rádio e da televisão, cartas narradas e experimentações sonoras ressoam dos bunkers secretos de resistência popular. São filmes compostos por vozes desesperadas e proféticas que criam dissonâncias e ecos das batalhas vindouras e das já vividas.

 

Brooklin (MG) – 2019 – Fic – 22 min – Direção: Coletivo CineLeblon

Em um futuro próximo, os moradores do Brooklin são submetidos a um toque de recolher imposto pela Guarda do Estado Verdadeiro. Através de uma rádio clandestina, criada por um grupo de jovens insurgentes, um espaço de denúncia se abre. À medida que a popularidade das transmissões aumenta, as retaliações por parte do Estado Verdadeiro começam. Uma caçada tem início. A ordem é derrubar os corpos que buscam se levantar.

Faça uma Ação Revolucionária (CE) – 2019 – Fic – 6min – Direção: Fluxo Marginal

Segue o fluxo. A hora é essa. Estamos em guerra. E não somos presa. Essencial pra vida é o AR!

Infecciosxs y Tombadas (DF) – 2015 – Teaser – 01min – Direção: Paulete Lindacelva

Teaser para a festa Infecciosxs y Tombadas dia 19/11/2015 em Brasília.

Lambada estranha (RJ) – 2020 – 12min – Direção: Darks Miranda

Rio de Janeiro, 2020. A cidade se incendiou e sua água secou ou está contaminada. Das profundezas da terra e do céu surgem seres extra-humanos desorientados.

Relatos Tecnopobres (GO) – 2019 – Doc/Fic – 13min – Direção: João Batista Silva

Após o apocalipse político de 2019, graves violações aos direitos humanos foram cometidas contra as populações tradicionais e periféricas visando à sua extinção. Em 2035, os sobreviventes lutam pelo direito de viver e articulam uma revolução.

Tamuia (AM/RJ) – 2021 – 10min – Direção: Denilson Baniwa

Guanabara, data desconhecida. Kunhambebe e seu grupo preparam-se para encontrar o Conselho Tamoio. A reunião irá definir os próximos passos na guerra contra os invasores. Sem saber, um de seus companheiros entregou os planos Tamoio aos inimigos. Ao caminho do local de encontro, seu comboio foi atacado. Ele consegue escapar. Ferido e sem armas procura abrigo numa casa abandonada. Lá ele deixa uma mensagem para seu filho Kunhambebe Mirim.

 

PROGRAMA 2: Corpos em Transe e Colisões

Nesse programa os corpos e corpas são colocados na linha de frente das lutas pelos direitos à liberdade, à dignidade, à terra. São filmes que demandam que tais corpos não sejam exterminados, concreta ou simbolicamente, E, mais do que isso, exigem que as suas vidas possam ser plenas – de gozo e felicidades. Seja em performance e/ou protestos (ambos políticos), nesses filmes, o corpo se choca, explode, perturba e confronta.

 

Alma no Olho (RJ) – 1973 – Exp – 11min – Direção: Zózimo Bulbul

Metáfora sobre a escravidão e a busca da liberdade através da transformação interna do ser, num jogo de imagens de inspiração concretista.

Intervenção (PE) – 2015 – Fic – 5min – Direção: Pedro Maia de Brito

Cinema é campo de batalha.

Lavra Dor (SP) – 1968 – Doc – 11min – Direção: Paulo Rufino

A situação dos lavradores diante das promessas de reforma agrária veiculadas até meados da década de 60 e o desânimo e o medo provocados pelo golpe militar de 1964 que amordaça os sindicatos rurais brasileiros. Cenas de arquivo, fotos em table-top, remontagem de poemas de Mário Chamie, orquestram uma realidade explicitamente representada como cinema.

Pátria (CE) – 2020 – Doc – 7min – Direção: Lív Costa e Sunny Maia

Em uma fita VHS são narrados pensamentos sobre Pátria, nacionalismo e poder.

Trópico Terrorista (RJ) – 2016 – Exp/Doc – 14min – Direção: Lorran Dias

Neste documentário experimental  Lorran Dias utiliza imagens de arquivo de manifestações de 2013 suas e de pessoas próximas, com imagens do carnaval de 2016 com suas amigas, captado em uma câmera cybershot. Em mais um filme ensaio, Lorran remixa imagens e sons de arquivo, revisita o momento pensando e sentindo as presenças da multidão no espaço público, não só como como fios que atravessam as duas temporalidades e contextos, mas como forças políticas de movimento e transformação.

Yvy Reñoy, Semente da Terra (MS) – 2016 – Doc – 15min – Direção: Coletiva da ASCURI

A luta dos Kaiowa e Guarani da aldeia Teykue, município de Caarapó pela retomada do seu território tradicional é marcada por disputas de terra. Em junho de 2016, um novo ataque financiado por ruralistas resultou em mais um indígena morto e quatro feridos, inclusive uma criança de 10 anos. 90 cápsulas de balas foram encontradas na retomada e inúmeras marcas de tiros. Nenhum fazendeiro foi preso. Tudo isso acontece cinco dias após a visita do atual presidente Jair Bolsonoro, do PSC/RJ a Campo Grande no MS. Coincidência?

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