23 A 28 DE NOVEMBRO - 2021

GOIÂNIA - GOIÁS - BRASIL

GRATUITO - ONLINE

Mostras e Curadoria


MOSTRAS

 

Filmes Premiados da Curta Mostra Brasil 

Panorama da produção nacional em curta-metragem durante os 20 anos da Goiânia Mostra Curtas. Filmes premiados pelo júri oficial. Vitrine da diversidade cultural brasileira registrada na linguagem audiovisual, com curadoria também de Maria Abdalla.

Filmes Premiados da Curta Mostra Goiás

Panorama da produção regional em curta-metragem durante os 20 anos da Goiânia Mostra Curtas, com curadoria também de Maria Abdalla. Filmes premiados pelo júri oficial e que representam uma produção em franco crescimento, em busca de profissionalização e reconhecimento Brasil e mundo afora. 

Curta Mostra Brasil – Os Caminhos do Brasil

Nesta edição especialmente com 20 filmes de 2020 e 2021, apresenta um período em que as produções se tornaram mais difíceis, mas também que trouxe curiosas descobertas. Trazem recortes e narrativas do momento social, econômico, político e pandêmico. Os registros desse tempo que marcou a todos são surpreendentes, assim como o encanto dessas histórias que os filmes contam. A seleção apresenta um equilíbrio entre o número de realizadores mulheres e homens.  A curadoria é de Beth Sá Freire, diretora do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.

19ª Mostrinha – Filmes Premiados pelo Júri Popular Infantil

Diversão e educação na sala de cinema, com uma programação especial para o público infantil através dos filmes premiados pelo júri popular infantil ao longo da história da Goiânia Mostra Curtas. A curadoria é Maria Abdalla. 

Curta Mostra Especial – Nós somos a guerra

A cada ano um tema abordado na valorização da cultura, do contexto atual e do resgate do audiovisual. Na 20ª Goiânia Mostra Curtas, o tema é “Nós somos a guerra”, com curadoria de Kênia Freitas, pesquisadora e crítica de cinema. Formada por curta-metragens brasileiros feitos entre 1968 e 2021, produzidos em diversas regiões e abordando realidades étnicas, sociais, e culturais de enfrentamento face às opressões. Os filmes estão divididos em dois programas: “Dissonâncias e Ecos Subterrâneos” e “Corpos em Transe e em Colisões”. O primeiro concentra narrativas especulativas e delirantes, que ora sussurram e ora gritam as táticas de resistência e contra-ataque utilizadas frente à distopia brasileira. No segundo, os corpos e corpas são colocados na linha de frente das lutas – em performance e/ou protestos, o corpo se choca, explode, perturba e confronta.

 

CURADORIA

 

CURTA MOSTRA ESPECIAL 

Nós somos a guerra: especulações e enfrentamentos no cinema

“É a guerra, neguin, nós somo a guerra, neguin / Vivemo a guerra, neguin, sofremo a guerra, neguin” são esses versos declaratórios do Mc Marechal que inspiram o título e as conspirações dessa mostra especial. Viver a guerra e sofrer a guerra cotidianamente como canta Mc Marechal são ações fundantes das experiências de grande parte dos habitantes dessa invasão de terra batizada Brasil. Se as reflexões e afecções sobre as profundas desigualdades que constituem o país são uma preocupação constante do cinema brasileiro – sobretudo a partir do seu período moderno, convocamos o conjunto de filmes aqui reunidos para conclamar o cinema como possibilidade de afronta, vetor da raiva e vazão de insurreições imaginárias e reais.

Os dois programas da mostra abrem frentes de batalhas com táticas distintas: o delírio e a especulação em um dos fronts; e a explosão e o enfrentamento no outro. Tamuia (Denilson Baniwa, 2021) abre o Programa 1 “Dissonâncias e Ecos Subterrâneos” colapsando o passado e o presente da colonização branca, descrevendo-a como uma invasão alienígena ainda em curso e disparadora permanente de fins de mundos. Em Tamuia, a mensagem de resistência é passada por uma carta narrada de pai para filho, já em Brooklin (Coletivo Cineleblon, 2020) são as ondas de uma rádio clandestina que propagam as mensagens insurgentes contra o estado opressor – em um futuro muito mais próximo do que gostaríamos. Em Infecciosxs y Tombadas (Pauletxy Lindacelva,  2016) a experimentação sonora segue pela festa cuir, que explode Brasília com muito deboche e delírio. “Nós estamos em guerra”, anuncia Ailton Krenak no remix de imagens e sons de revolta em Faça uma Ação Revolucionária (FluxoMarginal, 2019). Já as criaturas desorientadas de Lambada estranha (Darks Miranda, RJ, 12 min, 2020) parecem sobreviventes saídas dos bunkers dessa guerra e dos fins de mundo permanentes, dançando enquanto o mundo termina mais uma vez. E as ondas radiofônicas do Brooklin terminam por ressoar nos esconderijos subterrâneos em Relatos Tecnopobres (João Batista Silva, 2019): “Vida longa a revolução tecnopobre!”. Esse é um programa de filmes que nos lembram que as resistências do passado e do futuro estão sempre-já prontas para contra-atacar.

A fabulação afrocentrada de Zózimo Bulbul em Alma no Olho (1973) abre os caminhos para o programa 2, “Corpos em Transe e em Colisões”. Nesse filme, o corpo negro performa, encena, se descobre e reiventa. A rua e o desejo invadem os corpos em Trópico Terrorista ou Dreams of a Tropical War (Lorran Dias, 2016): fazendo encontrar as manifestações de 2013 com o carnaval carioca, reivindicando nos dois acontecimentos o gozo pleno da vida. Intervenção (Pedro Maia de Brito, 2015) é um filme-corpo que materializa a raiva em sua forma bruta e direta, como sua sinopse afirma: “o cinema é campo de batalha”. A música de Mc Marechal que intitula essa mostra é a trilha sonora de Yvy Reñoi, Semente da Terra (Ascuri Brasil, 2016), filme que se faz no front da resistência das comunidades Kaiowá e Guarani de Tei’ykue no Mato Grosso do Sul contra as invasões das milícias armadas dos fazendeiros da região. Lavra Dor (Ana Carolina e Paulo Rufino, 1968) nos lembra que a luta contra a exploração rural vem de longe, e que o corpo tanto é arma, quanto é poesia concreta no cinema. Pátria (Liv Costa, Sunny Maia, 2020) encerra esse programa articulando a necessidade de resistência à dobradinha opressora inseparável – patriarcado e nacionalismo, – em um enfrentamento do presente, passado e futuro. Corpo performático, corpo em guerra: esse é um programa de corpos-políticos em ebulição nas imagens e sons.

Desejamos nessa curadoria que a aliança com esses filmes rebeldes, coletivos e não-conciliatórios, convide a um questionamento sobre o que entendemos por “nós” e por “guerra”, convocando espectadores a se localizarem ativamente diante das lutas em curso no cinema e fora dele.

Kênia Freitas – pesquisadora e crítica de cinema


 


CURTA MOSTRA BRASIL – OS CAMINHOS DO BRASIL

Durante dois anos, 2020 e 2021, a produção brasileira de curtas-metragens – que sempre foi de forma muito potente e vigorosa – sentiu a ausência do “outro” e quase foi impossibilitada. Tudo foi muito difícil, o espaço de troca praticamente inexistiu, várias varandas substituíram os sets. Investigações sobre espaços e lugares trouxeram curiosas descobertas.

Assim, a Curta Mostra Brasil – Os Caminhos do Brasil é uma versão especial da mostra permanente, sem caráter competitivo, e pela primeira vez não tem a curadoria de Maria Abdalla, que sempre nos brindou a cada edição com uma excelente seleção de belos e intrigantes filmes. Que desafio eu realizar uma curadoria em seu lugar.

Uma honra essa chance de me aproximar mais dessa linda arte do contar histórias. Neste ano, são 20 filmes com registros de um tempo que nos marcou. Esperamos que a força desses trabalhos impressione e toque a cada um que tenha a oportunidade de vê-los.

Há muitos filmes noturnos e belos. Quase um retrato de nossas vidas, sem muita alegria, sem os amigos perto. Mas estamos vivos e pulsantes. Lembro da música ” O pulso ainda pulsa”. O cinema está vivo, não tem sido fácil, é verdade. Mas, quando se olha com atenção e olhos limpos, é grande e surpreendente o prazer, o encanto dessas histórias que os filmes contam.

Que todos aproveitem essa manifestação de sensibilidade que o festival oferece, para olhar o Brasil, a gente do Brasil, de jeito mais amoroso, pois necessitamos disso. AMOR.

Beth Sá Freire – diretora do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo


 


FILMES PREMIADOS DA CURTA MOSTRA BRASIL E DA CURTA MOSTRA GOIÁS DURANTE OS 20 ANOS DE GOIÂNIA MOSTRA CURTAS

O que vivemos nos dois últimos anos foi desafiador com certeza, e ainda é difícil nos adaptar a uma nova realidade longe do calor da plateia, do contato humano com realizadores, e do encantamento de um festival repleto de trocas de experiências. Mas a Goiânia Mostra Curtas está presente, em sua nova versão online temporária. Está viva em sua missão de estímulo e valorização da cultura e do audiovisual, seja qual for o momento do Estado ou do País.

As produções resistem. E, mais do que nunca, precisam ser exibidas, assistidas e revistas quantas vezes for preciso para marcar a presença, para passar mensagens atemporais necessárias. Os trabalhos de realizadores e de tantos profissionais do ramo merecem respeito e serem vistos como obras que nunca morrem.

Foi diante desses contextos, que a Curta Mostra Goiás e a Curta Mostra Brasil ganharam nova versão em 2021, além de uma nova função de reforço do que temos de melhor, que nos inspiram a continuar. A seleção neste ano não foi uma curadoria e sim a coletânea de filmes premiados pelo júri oficial ao longo de 20 anos de história da Goiânia Mostra Curtas.

É também uma homenagem às conquistas e aprendizados nestas duas décadas. Aproveitem! Será um prazer tê-los conosco, novamente.

Maria Abdalla – diretora geral, produtora e curadora

icumam cultural e instituto

producao@icumam.com.br
www.icumam.com.br
Fone: 62 3218 3779.

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